Economista prevê que controle de gastos públicos pode reduzir taxa de juros real para 5%
Aurélio Bicalho aponta que contenção do crescimento das despesas do governo é essencial para queda sustentável dos juros no Brasil.
O economista Aurélio Bicalho, chefe da Vinland, afirmou que o principal caminho para reduzir de forma sustentável a taxa de juros no país é a contenção do crescimento dos gastos públicos. Atualmente, a taxa real dos títulos públicos atrelados à inflação (NTN-B) está em torno de 6,7%. Segundo Bicalho, com uma política mais rigorosa de controle das despesas estatais, esse percentual poderia cair para níveis entre 5% e 5,5%.
Em entrevista ao programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, o especialista explicou que, nos últimos cinco anos, o gasto do governo brasileiro cresceu a uma média anual de 5,5%. Para reduzir os juros longos em cerca de 300 pontos-base, seria necessário desacelerar esse ritmo para aproximadamente 2% ao ano, o que não demandaria cortes nos gastos, apenas um crescimento menor.
Bicalho também observou que as medidas de estímulo econômico adotadas antes do processo eleitoral não estão gerando o impacto esperado no eleitorado. Ele destacou que a população percebe uma continuidade das garantias sociais e programas sociais independentemente das mudanças de governo, o que induz uma avaliação crítica dos custos futuros desses incentivos.
Segundo ele, a concessão de isenções e subsídios sem a definição de fontes claras de custeio eleva a dívida pública e pode provocar aumento de impostos, o que implica juros mais elevados e restrição orçamentária para áreas essenciais.
Além da política fiscal, Bicalho ressaltou a importância da atuação do Banco Central na determinação da taxa Selic para o controle inflacionário. Um levantamento da Vinland que analisou os 27 anos de regime de metas no Brasil indica que a inflação convergiu para o centro da meta quando o BC manteve uma postura firme no aperto monetário.
Os dois períodos em que as metas foram cumpridas com consistência foram entre 2005 e 2009, e de 2016 a 2020. Nesses ciclos, o Banco Central ajustou a taxa nominal de juros em cerca de três pontos percentuais para cada ponto percentual de alta na inflação ou em suas expectativas.
Por fim, o economista enfatizou que períodos em que a autoridade monetária adotou postura mais branda ou priorizou estímulos à atividade econômica resultaram em falhas na entrega das metas de inflação.