Daniel Vorcaro atribui crise do BRB à operação da Polícia Federal e nega fraudes
Ex-dono do Banco Master afirmou que operações com o BRB foram lícitas e sem prejuízo, após depoimento à Polícia Federal.
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (15) sobre as investigações vinculadas à instituição financeira Banco de Brasília (BRB). Vorcaro afirmou que a origem da crise reputacional enfrentada pelo BRB está relacionada à operação Compliance Zero, que investiga a aquisição supostamente fraudulenta de carteiras de crédito entre bancos.
Segundo a defesa do ex-banqueiro, divulgada após o depoimento que durou cerca de três horas, Vorcaro considerou que a ação policial foi precipitada e envolveu o BRB em uma narrativa falsa de fraude bilionária. Ele sustentou que as operações realizadas entre o Banco Master e o BRB foram negócios legítimos, apoiados por decisões técnicas e colegiadas das instâncias de governança das instituições, e não causaram prejuízo ao Banco de Brasília.
Vorcaro negou a venda de carteiras de crédito consignado forjadas ao BRB no valor de R$ 12,2 bilhões, o que representaria mais de 20% das operações de crédito do banco. A investigação aponta que as carteiras de crédito consignado adquiridas pelo Master teriam sido originadas por associações de servidores públicos da Bahia e vendidas ao BRB, mas ele afirmou que o negócio não foi consolidado nem resultou em prejuízo para a instituição ou seus clientes.
Em nota, a defesa de Vorcaro informou que apresentará contestação no âmbito cível nesta sexta-feira (16) e solicitará perícia para esclarecer definitivamente as alegações de fraude e prejuízo.
Depoimento de ex-presidente do BRB e detalhes da investigação
Na mesma data, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, também prestou depoimento. Ele está preso desde 16 de abril em decorrência do mesmo inquérito. Costa, que esteve à frente do BRB entre 2019 e novembro de 2025 por indicação do então governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), é apontado nas investigações como figura central nos processos de compra das carteiras.
Desde a primeira fase da operação, deflagrada em novembro de 2025, Costa era alvo de investigação. Embora o Ministério Público Federal tenha solicitado sua prisão na ocasião, a Justiça Federal negou, optando por seu afastamento do comando do banco. Sua defesa não se manifestou até o momento.
O BRB entregou recentemente à Polícia Federal o relatório final de auditoria independente sobre as operações realizadas com o Banco Master, confirmando suspeitas que já vinham sendo apuradas. A auditoria relata que as compras das carteiras foram tratadas internamente como um “negócio do presidente” e executadas sob pressão e com urgência.
No total, o BRB adquiriu R$ 21,9 bilhões em carteiras do banco de Vorcaro, das quais cerca de R$ 12,3 bilhões apresentam indícios de falta de lastro, inconsistências estruturais e vícios documentais.