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Superendividamento: cinco sinais que indicam quando as contas da família não fecham mais

Especialistas apontam comportamentos que indicam risco de superendividamento e destacam a importância da avaliação financeira detalhada.

Da 15/10/2026 às 13h19

O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% da renda acumulada nos últimos 12 meses ao final do primeiro semestre de 2026, igualando recordes históricos recentes, segundo dados do Banco Central. Contudo, ter dívidas não significa necessariamente estar em problemas financeiros: a natureza da dívida e a capacidade de pagamento são fatores determinantes para avaliar o risco de superendividamento.

Lucas Oliveira, sócio da Nexgen Capital, reforça que o crédito, quando utilizado com planejamento, pode contribuir para a construção de patrimônio. Por isso, é importante diferenciar dívida de inadimplência. Em dados excluindo financiamentos como o da casa própria, o índice de endividamento cai para 30,8%, conforme informação do Banco Central referente a julho de 2026.

Identificando o descontrole financeiro: cinco sinais de alerta

Especialistas apontam cinco indicadores importantes para identificar quando as dívidas começam a comprometer de forma perigosa o orçamento familiar, a capacidade de poupar e o alcance de objetivos financeiros de longo prazo:

  • Incapacidade de pagar dívidas em atraso: O percentual de famílias que declararam não ter condições de quitar débitos atrasados subiu para 12,5%, o maior nível desde fevereiro, conforme Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
  • Aumento do tempo médio de atraso: Após queda nos meses anteriores, o prazo médio de atraso voltou a subir e chegou a 65 dias.
  • Comprometimento da renda com pagamento de juros: Juros altos associados à facilidade de crédito elevam a parcela da renda destinada ao pagamento de dívidas.
  • Uso frequente do cartão de crédito para consumo imediato: O hábito de financiar gastos do dia a dia, como refeições pelo iFood, reforça o risco de desequilíbrio.
  • Busca por satisfação imediata em detrimento do planejamento: Conforme destacado por Érico Colodet Filho, sócio da Forttu Investimentos, a priorização do consumo presente sobre as necessidades futuras é um fator comportamental relevante.

Contexto e consequências do superendividamento

O crescimento do endividamento é impulsionado por fatores econômicos e culturais, entre eles a facilidade de acesso ao crédito e o prolongado período de juros altos no país. A pesquisa da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin) em parceria com o Instituto Axxus indica que oito em cada dez pessoas com problemas de saúde mental associam o quadro às dificuldades financeiras.

Além disso, o impacto do superendividamento no ambiente corporativo também é percebido, como destaca o projeto Forttu Educa, que realiza programas de educação financeira em empresas e atende a colaboradores que enfrentam problemas financeiros e emocionais ligados a dívidas descontroladas.

O papel do assessor de investimentos no apoio ao cliente endividado

Para lidar com clientes em situação de risco financeiro, os profissionais de assessoria devem realizar um diagnóstico minucioso que inclui:

  • Análise comportamental e emocional: Entender a relação do cliente com o dinheiro e os gatilhos que levam ao consumo excessivo.
  • Mapeamento detalhado do fluxo de caixa: Verificar rendas, despesas fixas e variáveis e identificar desvios orçamentários.
  • Raio-x das dívidas: Levantar valores, credores, custos totais e análise das faturas para entender o perfil do endividamento.
  • Avaliação do patrimônio e liquidez: Identificar ativos móveis, imóveis, investimentos e reservas que possam ser usados para amortizar dívidas.
  • Verificação de proteção financeira: Conferir coberturas e seguros frente a imprevistos.
  • Definição de objetivos financeiros: Estabelecer metas de curto, médio e longo prazo para incentivar mudança comportamental.

Segundo José Neto Rossim Torres, CEO da Forttu Investimentos, a abordagem deve ser ampla, envolvendo transformação de hábitos e educação financeira para colocar o cliente em condição de saúde financeira sustentável.

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