Pedro Parente vê risco de concentração de poder sob Flávio Bolsonaro em cenário de maioria da direita no Congresso
Ex-ministro de FHC critica ausência de propostas concretas de Flávio Bolsonaro e avalia cenário político após primeiro turno presidencial.
O ex-ministro da Casa Civil e do Planejamento do governo Fernando Henrique Cardoso, Pedro Parente, comentou sobre o cenário político do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, destacando a existência de um risco maior de concentração de poder caso Flávio Bolsonaro conquiste a Presidência acompanhado da maioria da direita eleita no Congresso Nacional.
Em entrevista à BBC News Brasil, Parente disse que o resultado do primeiro turno alterou a dinâmica política, tornando mais evidente o risco representado por um dos candidatos. “Agora tem um que realmente tem uma representação de risco para o país, dessa concentração de poder”, afirmou, estabelecendo uma comparação com os Estados Unidos, onde Donald Trump governou com maioria republicana no Congresso.
Apesar disso, ele não declarou seu voto, afirmando que sua decisão é “individual e solitária”. Parente já havia deixado claro que não vota em Flávio Bolsonaro, mas mantém reserva quanto à sua escolha final no segundo turno.
Participação em jantar com Flávio Bolsonaro e avaliação do candidato
Pedro Parente também comentou sua participação em um jantar organizado pelo ex-presidente do Credit Suisse Brasil, Marcelo Kayath, no qual estava presente Flávio Bolsonaro. O objetivo, segundo Parente, foi ouvir diretamente quem pode vir a ser presidente do Brasil. Contudo, ele declarou que saiu do evento com uma opinião pior do que a que tinha ao chegar. “Mesmo perguntado, [Flávio] não demonstrou ter um projeto de país”, disse.
Sobre as propostas econômicas apresentadas, Parente destacou que não viu nada concreto e que muitas das ideias foram expostas não pelo candidato, mas por assessores presentes, como Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, e Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central.
Reflexões sobre o quadro político e eleitoral
O ex-ministro avaliou o quadro de desencanto da população com a política e os candidatos, ressaltando que quase 49 milhões de eleitores não votaram em nenhum dos dois finalistas no primeiro turno, um indicativo do descontentamento com as opções disponíveis.
Parente criticou a prática da política fisiológica, que prioriza interesses de grupos e partidos em detrimento do interesse público, mencionando que durante o governo Lula, houve uma oportunidade perdida de implementar uma agenda mais positiva e orientada para o fortalecimento das instituições e do interesse coletivo.
Quanto à possibilidade de moderação por parte de Flávio Bolsonaro, ele disse que o candidato é um “enigma” e que não demonstrou radicalismo no jantar, mas que permanece incerta a sua postura após uma eventual eleição, especialmente em um contexto de forte maioria da direita no Congresso.
Por fim, Parente ponderou sobre a importância do voto consciente, reconhecendo que muitos eleitores podem optar por votar branco ou nulo, entendendo isso como uma decisão legítima de consciência, sem reduzir a importância da escolha informada no processo eleitoral.