Lufthansa conquista participação majoritária na TAP ao superar concorrentes
Companhia aérea alemã vai deter 44,9% das ações da TAP após processo de privatização conduzido pelo governo de Portugal.
Lisboa – A Lufthansa saiu vitoriosa na disputa para se tornar acionista majoritária da TAP, adquirindo 44,9% da companhia aérea portuguesa, conforme anunciado pelo governo de Portugal em 14 de outubro de 2026.
No processo de reprivatização iniciado em julho do ano anterior, o governo convidou a Lufthansa e a Air France-KLM a apresentarem propostas finais, após a desistência da IAG, grupo que controla Iberia e British Airways, na fase inicial do certame.
O governo português estabeleceu condições para o vencedor, entre elas a manutenção do hub de Lisboa e um plano robusto de crescimento que priorizasse a ampliação da conectividade aérea, incluindo regiões autônomas, diáspora e países de língua portuguesa. A expansão das operações aeroportuárias nacionais, em especial no Porto, e o fortalecimento dos centros de manutenção e engenharia também foram requisitados.
A privatização visa impulsionar o crescimento da TAP em um período em que o Estado não dispõe de recursos para capitalizá-la, especialmente diante dos desafios atuais do setor, como o aumento dos preços dos combustíveis em decorrência do conflito geoenergético entre EUA e Irã.
Para a Lufthansa, a aquisição representa uma estratégia de fortalecimento da sua presença na América Latina, dado que a TAP lidera as conexões aéreas entre a Europa e o Brasil.
O fechamento da negociação depende agora da aprovação das autoridades reguladoras, especialmente a Direção-Geral de Concorrência da União Europeia, que conduzirá uma análise detalhada dos impactos concorrenciais e sobre os consumidores, em virtude da significativa presença da TAP no aeroporto de Lisboa.
Estão previstas possíveis exigências, como a cessão de slots no aeroporto de Lisboa para mitigar efeitos de concentração de mercado.
O ministro das Finanças de Portugal, Miranda Sarmento, indicou que os efeitos financeiros da privatização sobre a dívida pública serão percebidos a partir de 2028, e que o processo de avaliação regulatória poderá durar entre 18 e 24 meses.
A agência Moody’s já havia apontado a complexidade e a possibilidade de um prolongamento do processo por vários anos.
Além da fatia de 44,9% destinada ao novo investidor maioritário, 5% das ações foram reservadas para os trabalhadores da TAP. Caso parte dessas ações não seja adquirida pelos funcionários, o grupo vencedor poderá aumentar sua participação proporcionalmente.
Diferentemente de privatizações anteriores, não haverá desconto de 5% para os trabalhadores na oferta pública, conforme consta no caderno de encargos.
O projeto do novo aeroporto em Lisboa, atualmente localizado no Campo de Tiro de Alcochete, está entre os pontos de interesse do futuro acionista para o desenvolvimento da operação aérea.