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Estudo com camundongos aponta relação entre serotonina e desejos na gravidez

Estudo científico destaca papel da serotonina e circuitos cerebrais nos desejos por certos alimentos durante a gestação.

Desejos específicos por alimentos durante a gravidez, como chocolate ou sorvete, são comuns e envolvem uma combinação complexa de fatores. Cientistas ainda investigam as causas, que vão além da simples fome e englobam alterações hormonais, metabólicas, culturais e cerebrais.

O fenômeno conhecido como “food craving” caracteriza-se por uma vontade intensa e direcionada de consumir certos alimentos, que pode ocorrer mesmo sem fome verdadeira. Especialistas explicam que essa vontade envolve pensamentos, emoções, comportamentos e aspectos fisiológicos da gestante.

O papel dos hormônios e do cérebro

Durante a gestação, ocorrem mudanças profundas nos hormônios estrogênio e progesterona, que podem alterar a percepção do sabor e a sensação de saciedade. Além disso, pesquisas indicam que o cérebro passa por adaptações em centros relacionados ao sabor e à recompensa, influenciando o apetite e a motivação para determinados alimentos.

Estudo recente com camundongos

Um estudo publicado na revista Nature Neuroscience por pesquisadores americanos analisou o comportamento alimentar de camundongos grávidos. Eles identificaram que durante a gestação alguns neurônios produtores de serotonina, localizados no núcleo dorsal da rafe, ficam menos ativos devido ao aumento da função de um canal de potássio chamado SK3.

Essa diminuição na atividade dos neurônios de serotonina está associada a um aumento na motivação para buscar alimentos ricos em gordura, açúcar e proteínas, mesmo quando não há fome. A pesquisa também apontou que a ativação da via cerebral ligada à recompensa e motivação, a área tegmental ventral, pode reduzir esse comportamento.

Limitações e considerações

Os cientistas ressaltam que, embora o modelo em camundongos forneça pistas sobre mecanismos neurobiológicos, não é possível afirmar que o mesmo processo explique os desejos alimentares em mulheres. Diferenças culturais, sociais, emocionais e contextuais também têm papel importante na alimentação humana durante a gravidez.

Quando os desejos aparecem e devem preocupar

Os desejos alimentares podem surgir desde o início da gestação, geralmente com maior intensidade no segundo trimestre, e tendem a diminuir no terceiro trimestre. Desejos ocasionais e moderados são geralmente normais. Contudo, quando se tornam frequentes, substituem refeições ou levam a ganho excessivo de peso, podem prejudicar a saúde materna e fetal.

Especialistas alertam para a importância de manter uma alimentação equilibrada e reforçam que o aumento de nutrientes necessários na gravidez não significa dobrar a ingestão calórica.

Procura por ajuda médica

É recomendada avaliação médica quando os desejos são intensos a ponto de causar compulsão, descontrole alimentar, perda de peso ou quando estão associados a vômitos frequentes e incapacidade de manter a alimentação. Além disso, a síndrome da pica, caracterizada pela vontade persistente de consumir substâncias não alimentares como terra ou gelo, também requer acompanhamento clínico devido a possíveis deficiências nutricionais.

Portanto, os desejos da gravidez resultam de uma interação complexa entre hormônios, cérebro, metabolismo, emoções e cultura, não devendo ser vistos apenas como falta de controle da gestante.

Tags: Gravidezalimentaçãodesejos alimentaresgestaçãoserotonina

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