Casos de anorexia e bulimia crescem 71% com magreza nas redes
Estudo indica aumento global de transtornos alimentares e associação com padrões de beleza irreais nas redes sociais.
Um estudo publicado pela revista JAMA Psychiatry identificou um crescimento de 71% no número de casos globais de anorexia e bulimia desde 1990. A pesquisa, que avaliou dados de 204 países até 2023, revelou que 3,9 milhões de pessoas vivem com anorexia e 14,2 milhões com bulimia. A maioria dos afetados são mulheres entre 10 e 24 anos.
Essa alta acompanha o ressurgimento da magreza extrema como padrão de beleza nas redes sociais, fenômeno que se traduz em uma percepção corporal distorcida e aumento dos transtornos alimentares. O impacto dessa tendência foi ilustrado por relatos da nutricionista Carol Alves, que, mesmo com peso e exames normais, foi alvo de acusações de obesidade ao desafiar estas ideias em vídeos no TikTok.
Influência das redes sociais e padrão de beleza
A presença constante de corpos magros exibidos com filtros e retoques digitais contribui para que jovens absorvam ideais inalcançáveis. As plataformas removem conteúdos que promovem transtornos alimentares, mas os símbolos e termos usados para glamourizar esses comportamentos mudam frequentemente, dificultando o controle.
Segundo a psiquiatra Ana Clara Floresi, a pressão pela magreza já ocorreu em ondas ao longo das últimas décadas, e atualmente está associada a um ideal que valoriza não só a aparência, mas a sensação de sucesso e controle. A idade de início de sintomas também vem diminuindo, com casos registrados em crianças a partir de 5 anos.
Projeções e desafios no atendimento
Espera-se que o número de pessoas com anorexia e bulimia chegue a 21,8 milhões até 2050. No Brasil, o atendimento público especializado é limitado, com poucos centros e leitos disponíveis. O psiquiatra Táki Cordás estima que 5% da população brasileira conviva com comportamentos alimentares anormais, número considerado subestimado.
Os sinais de alerta incluem isolamento, desculpas para evitar refeições, exercícios obsessivos e busca por métodos compensatórios. O tratamento envolve recuperação nutricional, psicoterapia e terapia familiar para adolescentes, com acompanhamento por profissionais especializados.
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