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Família autoriza doação de órgãos de goleiro de 14 anos

Após morte encefálica de jovem goleiro, família decide doar órgãos; saiba como se declarar doador no Brasil.

Goleiro Miguel Meneses, do sub-15 São José.
Goleiro Miguel Meneses, do sub-15 São José. — Foto: Reprodução/Assessoria do SJEC

Após a constatação da morte encefálica do goleiro Miguel Meneses, de 14 anos, a família optou por doar seus órgãos. A ação possibilitará o transplante de cinco órgãos, incluindo coração, fígado, rins e córneas, beneficiando ao menos seis pessoas na fila nacional de espera por transplantes.

No Brasil, quase 50 mil pessoas aguardam por um órgão, sendo a maioria por rim, que somam mais de 46 mil na fila. O país é referência mundial em transplantes, mas ainda enfrenta o desafio de aumentar o número de doadores, o que reduz a quantidade de vidas salvas anualmente.

Como manifestar a vontade de ser doador

Para que a doação seja efetivada, a legislação brasileira determina que a decisão depende da autorização da família após a morte encefálica. Por isso, é fundamental que as pessoas comuniquem seus familiares e também formalizem essa vontade.

Atualmente, existem duas formas oficiais de se declarar doador:

  • Nova carteira de identidade: ao solicitar o RG, o cidadão pode optar por incluir no verso do documento o registro de doador de órgãos e informar seu tipo sanguíneo e fator RH. A inclusão é voluntária e facilita o acesso da equipe médica a esta informação no momento adequado.
  • Autorização eletrônica digital: disponível pelo site www.aedo.org.br, permite registrar a vontade de ser doador de forma digital e certificada em cartório, sem custo. Após o cadastro, há etapa de confirmação por videochamada.

Aspectos técnicos da doação e transplante

A doação de órgãos sólidos só ocorre após a constatação de morte encefálica, quando o cérebro deixa de funcionar definitivamente, embora o coração ainda possa estar batendo em suporte artificial durante o processo.

O tempo máximo para retirada e transplante dos órgãos varia entre 6 e 24 horas, dependendo do tipo. Por exemplo, coração e pulmões têm janela de 6 a 8 horas, fígado até 12 horas e rins até 24 horas.

O transplante de córneas é diferente, pois pode acontecer mesmo sem o coração estar em funcionamento, podendo ser doado em casos de morte natural.

Critérios e funcionamento da fila nacional

O Sistema Único de Saúde (SUS) gerencia uma fila nacional de espera, segmentada por regiões e estados para otimizar a distribuição e reduzir a perda de órgãos por tempo limitado de conservação.

Fatores considerados para prioridade incluem localização geográfica, compatibilidade imunológica, gravidade clínica do paciente e tempo na lista de espera. Por exemplo, para o rim, a compatibilidade é crucial, enquanto para o fígado, pacientes com maior gravidade recebem prioridade.

Em empate de critérios, o cadastro há mais tempo na fila decide quem recebe o órgão. Cada receptor deve ter compatibilidade sanguínea específica para o tipo de transplante.

Restrições para doação

Embora doenças crônicas como diabetes, hipertensão e algumas infecções controladas não impeçam a doação, certas condições impedem o processo, como HIV (mesmo para receptores com o vírus), câncer ativo e infecções graves nos órgãos a serem doados.

Além disso, notas técnicas do Ministério da Saúde vedam a doação de órgãos em pacientes com quadro positivo para Covid-19 no momento do falecimento.

Tags: SUSSaúdedoação de órgãosmorte encefálicatransplante

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