Bluetoothing contribui para aumento de casos de HIV em Fiji
Bluetoothing, prática que injeta sangue contaminado para replicar efeito da droga, contribui para surto da doença no arquipélago de Fiji.
O aumento acelerado dos casos de HIV no arquipélago de Fiji levou o país a declarar estado de emergência nacional na última semana. Um fator preocupante apontado pelas autoridades de saúde locais é a prática conhecida como bluetoothing, que envolve a retirada de sangue de uma pessoa logo após ela ter consumido drogas por via intravenosa para injetá-lo em outra, com o objetivo de replicar efeitos da droga.
A técnica, que tem sido observada também em países africanos como Lesoto, Zimbábue e África do Sul, é considerada altamente arriscada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o risco excepcionalmente elevado de transmissão de infecções como HIV, hepatites B e C, além de infecções bacterianas graves decorrente desse costume.
Em Fiji, a prática aparece associada à pobreza e ao acesso limitado a equipamentos de injeção esterilizados. Segundo Kalesi Volatabu, diretora executiva da ONG Drug Free Fiji, a circulação do sangue contaminado entre usuários pode rapidamente multiplicar o número de infectados, aumentando a dimensão da crise.
O Ministério da Saúde de Fiji reconheceu em 2024 que o bluetoothing contribuiu para o crescimento dos casos de HIV no país. Em uma resposta, foi implementado um programa de distribuição de seringas e agulhas para reduzir o risco de contaminação. Ainda assim, a extensão real da prática é contestada, haja vista estudo da OMS que entrevistou usuários de drogas e encontrou relatos limitados de bluetoothing, possivelmente influenciado por estigma e vergonha.
Contexto global e outras regiões afetadas
A prática não é exclusiva de Fiji. Na África, grupos locais, como o Mokhosi oa Mangoana no Lesoto, têm enfrentado desafios semelhantes com o bluetoothing em ambientes informais de consumo de drogas, conhecidos como "trap houses". Apesar das dificuldades para verificar a prática, agentes comunitários alertam para o perigo e a necessidade urgente de educação e conscientização para prevenir a disseminação do HIV.
Além disso, a agência da ONU para a Aids, a Unaids, destacou o aumento de novas infecções por HIV em diversos países ao redor do mundo em 2025. O alerta reforça que a luta contra o vírus continua crucial, especialmente diante de novas tendências que facilitam a transmissão.
Transmissão do HIV e resposta ao tratamento
O HIV se transmite principalmente por fluidos corporais, sobretudo em relações sexuais desprotegidas e também pelo compartilhamento de agulhas contaminadas. O vírus pode ser passado da mãe para o filho durante a gestação, parto e amamentação.
Apesar dos avanços no tratamento, com a terapia antirretroviral (TARV) que reduz a carga viral a níveis indetectáveis e previne a transmissão sexual, o aumento dos casos mostra que medidas de prevenção e educação ainda são fundamentais.
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