Delegado baleado em megaoperação no RJ relembra perda da perna
Bernardo Leal revive ataque, resgate sob fogo cruzado e recuperação após amputação na ação que resultou em 122 mortes.
Nesta quarta-feira (28), completa um ano da Megaoperação Contenção, ação realizada nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que resultou em 122 mortes, incluindo cinco policiais. O delegado Bernardo Leal, baleado naquela operação e eleito deputado estadual pelo Partido Progressista (PP) com 57.254 votos, revisita os momentos de emboscada, resgate sob intensa troca de tiros e a amputação da perna direita.
Bernardo estava na linha de frente da operação quando foi ferido após um engano, confundindo um criminoso com um colega policial. Imediatamente atingido, ele foi socorrido sob fogo cerrado e transportado de moto até o Hospital Estadual Getúlio Vargas, onde deu entrada com apenas 3% de chance de sobrevivência. Ao longo da recuperação, passou por nove cirurgias, incluindo a amputação inicialmente abaixo do joelho e procedimentos adicionais para combater uma infecção óssea. Permaneceu 47 dias internado e, após alta, iniciou o uso de uma prótese biônica para auxiliar na mobilidade.
O delegado detalhou as difíceis condições enfrentadas desde o início, com caminhadas superiores a duas horas cobertas de barricadas feitas por criminosos para dificultar o avanço das equipes. Ele ressaltou a falta de apoio federal, destacando que a utilização de blindados da Marinha poderia ter facilitado a movimentação nas comunidades dominadas pelo tráfico.
Durante a incursão, a equipe entrou em um beco coberto por tapumes quando ouviram tiros que, inicialmente, foram confundidos como vindos de policiais amigos, levando Bernardo a expor a perna e ser atingido. A reação imediata do colega Vinícius ao usar uma motocicleta como escudo foi decisiva para protegê-lo dos disparos.
O resgate tornou-se uma operação dentro da operação, com os policiais improvisando a criação de uma nova saída por uma parede e enfrentando dificuldades de comunicação até conseguir sinal para pedir prioridade na retirada. Bernardo relembrou com emoção o esforço dos colegas, incluindo o sargento Figueiredo, que aplicou um torniquete para controlar a hemorragia.
Ao retomar a fala sobre a megaoperação, o delegado negou que o planejamento tivesse como objetivo as mortes, indicando que o propósito era cumprir mandados judiciais de prisão e busca, enfrentando resistência armada. Ele ressaltou que ninguém parte para uma operação pensando em matar, mas de cumprir a missão e voltar vivo para as famílias.
Além da ação policial, Bernardo enfatizou a importância de políticas públicas integradas que incluam saúde, assistência social, educação e justiça para manter o controle territorial após as operações, criticando a insuficiência das forças de segurança isoladas para solucionar os problemas nas comunidades.
Hoje, Bernardo utiliza sua experiência para representar profissionais de segurança, pessoas com deficiência e moradores das comunidades, buscando visibilidade às suas demandas. Sem rancores, ele mantém o compromisso de continuar atuando para a sociedade, consciente dos riscos de sua função.
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