33 alvos seguem foragidos um ano após megaoperação no Alemão
Megaoperação de 2025 reduziu tiroteios e homicídios, mas principais líderes do Comando Vermelho ainda vivem nos complexos do Alemão e da Penha.
Um ano após a realização da megaoperação Contenção nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ao menos 33 alvos de mandados de prisão continuam foragidos. A ação, ocorrida em 28 de outubro de 2025, mobilizou cerca de 2,5 mil policiais civis e militares e resultou em 122 mortos, além da prisão de 99 pessoas e apreensão de 122 armas, inclusive fuzis, pistolas e artefatos explosivos com prejuízo estimado em R$ 12 milhões para o Comando Vermelho (CV).
Segundo relatórios do governo do estado, entre os foragidos estão importantes líderes da facção, como Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso, Gardenal e Pedro Bala, que continuam vivendo no Complexo da Penha.
Apesar da redução de 61% nos tiroteios e queda nos homicídios e mortes violentas na região, dados coletados pelo Instituto Fogo Cruzado e pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) indicam que a ação não alterou o controle territorial do Comando Vermelho, que mantém sua influência nas comunidades.
Moradores, autoridades e especialistas ouvidos afirmam que a rotina nos complexos praticamente não mudou após a megaoperação. A pesquisadora Carolina Grillo, da Universidade Federal Fluminense, ressalta que as variações nos indicadores criminais locais não são suficientes para medir o impacto da megaoperação sobre o grupo criminoso, que atua em diversas regiões do estado.
Os dados também mostram que, nos meses seguintes à ação, houve queda significativa no número de operações policiais e tiroteios causados diretamente por essas intervenções, sugerindo uma diminuição das confrontações ativas após o evento.
Por outro lado, dados da Secretaria Municipal de Educação do Rio apontam que o número de escolas fechadas temporariamente no Complexo do Alemão em decorrência de operações policiais ou confrontos aumentou 16% no período posterior à megaoperação, refletindo o impacto da violência na vida escolar dos moradores.
Denúncias de excessos na operação
A 3ª Defensoria Pública do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos do Rio de Janeiro divulgou relatório que indica excessos durante a megaoperação, com imagens mostram tortura, ameaças de morte, agressões, sufocamento com pano ensanguentado, choques elétricos em civis e intimidação de moradores.
A ação gerou intenso debate público, incluindo posicionamentos contrários de entidades internacionais como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos em função da alta taxa de letalidade.
Embora 67% da população brasileira tenha aprovado a megaoperação em pesquisa realizada logo após o evento, especialistas defendem que operações deste porte devem fazer parte de estratégias contínuas que visem desarticular as estruturas das organizações criminosas, atuando para além do confronto direto e considerando o controle territorial e o financiamento das facções.
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