Protestos contra alta do custo de vida mobilizam países europeus em 2026
A alta do custo de vida desencadeou uma onda de protestos na Europa, mobilizando desde idosos até estudantes em várias nações.
O aumento do custo de vida provocou uma série coordenada de protestos em diversos países europeus em 2026. Os movimentos sociais variam em seus gatilhos, mas todos compartilham a mesma raiz econômica, de acordo com análises recentes.
Na Espanha, a situação de Maricarmen Abascal, uma idosa de 87 anos despejada após mais de 70 anos em sua residência, suscitou indignação popular e levou milhares às ruas. A questão da moradia e dos altos aluguéis intensificou o debate social no país.
Na França, estudantes do ensino médio iniciaram manifestações por melhorias nas condições das escolas públicas, reunindo mais de 500 mil pessoas em um único dia de protestos. A mobilização chegou a agregar sindicatos e amplos setores da sociedade civil contrários ao aumento dos custos gerais.
Outros países foram afetados pelo movimento, como Alemanha, Itália, Bélgica, Albânia e Sérvia. Neste último, a repercussão dos protestos estudantis influenciou as eleições, culminando na derrota do partido do presidente Aleksandar Vučić, que estava no poder desde 2014.
Análise política dos protestos
O cientista político Thomás Zicman de Barros, pesquisador do centro francês Sciences Po Paris, tem se dedicado ao estudo desses movimentos populistas e ao impacto desses protestos para a democracia europeia. Ele destaca semelhanças com os protestos de maio de 1968 e ressalta que, embora os motivos específicos variem, o elemento central é a pressão gerada pela insustentável alta no custo de vida.
Segundo Thomás, a convergência de manifestações em variados países evidencia tanto o descontentamento econômico quanto a crise de representatividade política. O fenômeno pode levar a mudanças políticas significativas, sobretudo nos países onde o sistema democrático tem enfrentado desafios internos.
Este episódio integra o podcast O Assunto, produzido pelo g1 e apresentado por Natuza Nery, que tem reunido grande audiência desde sua estreia em 2019.
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