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Copom mantém Selic em 13,75% após dúvidas sobre ajuste fiscal e gera reação do PT

Partido e parte do governo atacam Banco Central após Copom manter a taxa Selic diante de incertezas fiscais e inflação em alta.

Copom reduz taxa de juros, e o FED mantém
Copom reduz taxa de juros, e o FED mantém — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O Partido dos Trabalhadores (PT) e integrantes do governo federal criticaram o Banco Central (BC) após o Comitê de Política Monetária (Copom) manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão do Copom foi motivada por incertezas fiscais e pressões inflacionárias no curto prazo.

A interrupção do ciclo de corte de juros gerou questionamentos sobre a postura do Banco Central diante das dúvidas sobre o ajuste fiscal. O mercado financeiro já esperava a manutenção da Selic nesse patamar, em função dos riscos de déficits nas contas públicas e inflação elevada.

Pronunciamento de Lula e estratégias fiscais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva programou um pronunciamento para o próximo domingo, no qual promete adotar uma política fiscal responsável no seu quarto mandato. Lula assegurará que seus programas sociais e promessas de campanha serão mantidos, e defende que não haverá "estelionato eleitoral", expressão utilizada para designar mudança de medidas após a eleição contrariando a campanha, embora não seja crime previsto na legislação brasileira.

Leia também: Durigan avalia taxa Selic elevada, mas evita criticar pausa do Banco Central

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, está finalizando um conjunto de medidas para garantir o cumprimento da meta fiscal, que prevê um superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027. Segundo assessores, essas propostas serão apresentadas ao presidente após sua participação na Conferência das Partes (COP 30), na Turquia, entre os dias 9 e 12 de novembro.

Debates sobre nomeações no Banco Central

Há discussões internas entre petistas e parte da equipe econômica sobre a indicação de diretores do Banco Central alinhados a políticas mais favoráveis à redução dos juros. Atualmente, duas vagas estão abertas nas diretorias de Política Econômica e Organização do Sistema Financeiro, e outras duas deverão ser abertas em fevereiro para Política Monetária e Fiscalização.

No entanto, interlocutores do presidente indicam que Lula não pretende realizar essas indicações com viés ideológico para não provocar turbulências no mercado e para preservar a autonomia do Banco Central na condução da política monetária.

Posições divergentes e propostas alternativas

Um grupo dentro do PT chegou a defender a proposta do economista André Lara Resende, conhecida pela previsão de reduzir a taxa Selic para 7,5% ao ano em doze meses, seguida da implementação de um teto para juros e meta fiscal. Essa ideia recebeu críticas de economistas que apontam para o risco de aplicar um modelo ainda não testado internacionalmente.

Além disso, o vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias, afirmou que o Banco Central cedeu às pressões do mercado financeiro. Segundo ele, a expectativa de queda dos juros dependia do resultado eleitoral, e a decisão do Copom reflete essa dinâmica política.

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