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Contas públicas fecham setembro com déficit e dívida alta

Setor público consolidado registra déficit primário e dívida pública alcança maior nível desde 2021, segundo Banco Central.

Segundo dados divulgados pelo Banco Central em 29 de outubro de 2026, as contas públicas do setor consolidado registraram um déficit primário de R$ 5,5 bilhões no mês de setembro. Esse resultado indica que as receitas com tributos e impostos ficaram inferiores às despesas governamentais no período.

O setor público consolidado inclui o governo federal, estados, municípios e empresas estatais. Em comparação com setembro de 2025, quando houve superávit primário de R$ 17,5 bilhões, o resultado de setembro de 2026 representa uma piora.

Endividamento e situação fiscal

Em relação ao endividamento, a dívida pública do setor consolidado permaneceu estável em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no último mês, conforme relatório do Banco Central. Esse é o maior percentual registrado desde março de 2021, quando a dívida alcançou 85,1% do PIB, dando continuidade a uma tendência de alta observada nos últimos anos.

No acumulado dos primeiros nove meses de 2026, as contas públicas apresentaram déficit primário de R$ 94,3 bilhões, equivalente a 0,93% do PIB, superando o déficit de R$ 79,2 bilhões registrado no mesmo período de 2025 (0,84% do PIB).

Somente o governo federal teve resultado negativo de R$ 93,6 bilhões de janeiro a setembro, comparado ao déficit de R$ 99,6 bilhões no mesmo período do ano anterior.

Resultados nominais e juros da dívida

Ao incluir os pagamentos de juros da dívida pública, o resultado nominal do setor público foi deficitário em R$ 113 bilhões em setembro de 2026. No acumulado dos 12 meses até setembro, o déficit nominal chegou a R$ 1,28 trilhão, correspondendo a 9,51% do PIB.

Esse indicador nominal é usado para comparações internacionais e influencia a avaliação das agências de classificação de risco, fazendo parte da análise dos investidores sobre a saúde fiscal do país.

Os juros nominais pagos chegaram a R$ 1,2 trilhão nos últimos doze meses até setembro, o que representa 8,99% do PIB, impacto reforçado pela taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano, um patamar relativamente elevado.

Contexto e medidas fiscais

Desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há pouco mais de três anos, a dívida pública ampliou-se em 11,2 pontos percentuais do PIB. Esse aumento é atribuído principalmente à elevação dos gastos públicos, que influi no crescimento das despesas com juros, criando um ciclo que mantém a dívida em patamares elevados.

Para enfrentar o crescimento da dívida, o governo aprovou, em 2023, o chamado "arcabouço fiscal", estabelecendo novas regras para as contas públicas, em substituição ao teto de gastos.

Com a manutenção da dívida em níveis elevados e o déficit registrado, a equipe econômica sinaliza a possibilidade de medidas adicionais para restringir a expansão das despesas públicas na próxima gestão, que começará em 2027.

Tags: Dívida PúblicaEconomiaarcabouço fiscalbanco centraldéficit primário

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