Inadimplência e dívida das famílias atingem novos máximos
Taxa de inadimplência atinge 5%, maior desde 2011, enquanto endividamento supera 50% da renda anual em agosto.
O Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira (29) que a taxa média de inadimplência nas operações de crédito mantida pelos bancos permaneceu em 5% em setembro de 2026, alcançando o maior patamar desde o início da série histórica revisada, em março de 2011. O índice considera atrasos superiores a 90 dias nas parcelas tanto de pessoas físicas quanto jurídicas.
Além disso, o endividamento das famílias brasileiras atingiu 50,1% da renda anual em agosto de 2026, segundo dados da autoridade monetária, ultrapassando pela primeira vez a marca dos 50% desde o início da série histórica, em 2011, quando estava em 34,9%.
Programas de renegociação e ações do governo
Apesar do cenário de inadimplência crescente, o governo lançou em maio o programa "Novo Desenrola Brasil" (também chamado Desenrola 2.0), destinado à renegociação de dívidas. Recentemente, foi anunciada mais uma rodada dessa iniciativa, com a previsão de renegociar R$ 150 bilhões em dívidas atrasadas entre 2 e 4,5 anos.
O plano prevê que a União compre carteiras de crédito com deságio de 90%, desembolsando R$ 15 bilhões para adquirir dívidas que somam R$ 150 bilhões. O programa é focado em dívidas de cartão de crédito nas modalidades parcelada e rotativa, além de crédito pessoal sem consignação, considerando débitos de até R$ 10 mil. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, é responsável pela iniciativa.
Medidas do Banco Central para conter riscos
No início de setembro, o Banco Central destacou que a alta taxa de juros pressionava a situação financeira de famílias e empresas. Em reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), realizada no fim de agosto, foram anunciadas futuras medidas para atenuar riscos relacionados à elevada participação de modalidades de crédito mais caras no endividamento familiar.
Entre as ações definidas recentemente, o BC estabeleceu que ofertas de empréstimos via PIX exigirão consentimento prévio do usuário, com intervalo mínimo de 24 horas entre a habilitação e a primeira oferta. Além disso, instituições financeiras deverão oferecer mecanismos claros para que clientes possam bloquear propagandas e ofertas ativas de crédito, norma que começa a valer em 31 de março de 2027. Essas medidas buscam ampliar o controle dos consumidores sobre as ofertas recebidas.
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