Pular para o conteúdo

André Lara Resende nega contato com Lula e detalha proposta para reduzir juros

André Lara Resende esclarece desmentido sobre encontro com Lula e explica plano que propõe conselho para coordenar política monetária e fiscal no Brasil.

Economista André Lara Resende
Economista André Lara Resende — Foto: Agência Senado via BBC

André Lara Resende, economista que presidiu o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 1998 e teve passagem pela diretoria do Banco Central nos anos 1980, negou ter conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou ter reunião marcada. Ele afirmou que circulam informações falsas com o intuito de descreditar seu nome, especialmente em meio à repercussão de sua proposta para o futuro econômico do país.

A proposta, que ganhou destaque no mercado financeiro e em debates políticos, sugere a criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), um órgão que atuaria ao lado do Banco Central para definir metas de longo prazo sobre a política fiscal e a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Segundo Lara Resende, o objetivo principal do conselho seria coordenar as expectativas sobre os juros e as contas públicas para escapar da armadilha dos juros excessivamente altos que sustentam o déficit das contas brasileiras, e não propriamente pelo volume dos gastos governamentais.

Leia também: Copom mantém Selic em 13,75% após dúvidas sobre ajuste fiscal e gera reação do PT

Ele argumenta que a alta taxa básica de juros é a principal causa do peso dos juros sobre a dívida pública, que corresponde a cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB). O economista ressalta que o déficit primário do país, que exclui os juros da dívida, tem sido relativamente baixo nos últimos anos, situando-se em cerca de 0,5% a 0,7% do PIB em 2025.

O banco central, segundo Lara Resende, manter os juros altos tem raízes históricas na trajetória econômica do país, mas atualmente o Brasil possui uma dívida majoritariamente interna, mantida por moradores do país e denominada em moeda local, o que difere da dívida externa.

O conselho que ele sugere teria que ser criado por meio de aprovação legislativa, porque o Banco Central não tem autonomia para montar estruturas próprias além de comitês consultivos. A composição, conforme indicado, incluiria o presidente do Banco Central, o ministro da Fazenda, o secretário do Tesouro e especialistas independentes.

Quanto à possibilidade de que a proposta possa levar a uma desancoragem das expectativas econômicas, inflação ou fuga de capitais, Lara Resende destaca que o Brasil tem uma posição robusta nas contas externas, com superávit comercial, reservas internacionais significativas e ausência de dívida externa.

Ele reafirma que a trajetória da redução da Selic prevista em seu artigo — uma diminuição gradual para cerca de 7,5% em um ano — é indicativa e que o ritmo deve ser ajustado conforme as circunstâncias evoluírem.

O economista ainda contestou críticas que associam sua proposta a regimes de juros negativos ou tabelamentos, enfatizando que seu plano não alteraria a autonomia operacional do Banco Central, que continuaria a implementar as diretrizes definidas pelo conselho.

Comentários

Comentários exclusivos para quem tem conta

Entre na sua conta e seja o primeiro a comentar esta matéria.

Veja também