Lula reeleito impulsiona R$27 bi em investimentos da China
A reeleição de Lula abre espaço para fortalecer comércio, investimentos e projetos de infraestrutura com a China.
Luiz Inácio Lula da Silva garantiu seu quarto mandato, mantendo a perspectiva de intensificar a parceria entre o Brasil e a China, que é o principal parceiro comercial brasileiro desde 2009. A continuidade do governo Lula pode transformar o capital diplomático existente em ganhos econômicos práticos, como avalia José Ricardo Luz, CEO do LIDE China.
No mandato anterior, a relação bilateral já havia alcançado recordes, com cerca de 40 acordos assinados durante a visita do presidente chinês Xi Jinping ao Brasil em novembro de 2024, e anúncio de investimentos de R$ 27 bilhões em maio de 2025. O mesmo ano registrou um comércio bilateral histórico de US$ 171 bilhões, e o Brasil foi o maior receptor mundial dos investimentos chineses, somando US$ 6,1 bilhões.
Áreas estratégicas para o novo mandato
Segundo Luz, quatro frentes serão prioritárias: reindustrialização, inovação, infraestrutura e transição energética. No campo da infraestrutura, destaca-se o projeto da ferrovia bioceânica, que visa conectar a Bahia ao porto peruano de Chancay, o que pode a partir de agora avançar com maior celeridade. Essa iniciativa busca solucionar gargalos logísticos e ampliar a eficiência dos corredores de exportação brasileiros.
A transição energética representa um campo de disputa entre Estados Unidos e China no Brasil. Lula e o governo brasileiro negociam com Pequim a colaboração não apenas no fornecimento de minerais raros essenciais para baterias, como também a transferência de tecnologias para a produção nacional dessas baterias para veículos elétricos.
Pressões internacionais e posicionamento estratégico
A relação com os Estados Unidos permanece complexa, com tarifas de 25% impostas a produtos brasileiros e a exclusão do país em declarações relacionadas às cadeias de minerais críticos assinadas por quinze governos americanos.
Luz ressalta que o Brasil deve evitar escolhas exclusivas entre EUA e China, aproveitando os diferentes interesses e oportunidades que cada parceiro oferece. Neste contexto, o Brasil pretende fortalecer sua atuação no BRICS, grupo que terá a presidência temporária chinesa em 2027, o que deve influenciar positivamente sua política internacional e foco no desenvolvimento nacional.
O governo do presidente reeleito planeja ampliar negócios, atrair mais investimentos, desenvolver tecnologia e aprimorar a capacidade de negociação internacional, sempre alinhado ao interesse do país.
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