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Lula é reeleito em Brasil cercado por governos de direita

Lula será presidente do Brasil cercado por aliados dos EUA, enfrentando isolamento regional e relações tensionadas.

Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito para seu quarto mandato à presidência do Brasil, segundo informações do portal InfoMoney, anunciando continuidade em seu governo. Diferentemente dos ciclos anteriores, Lula assumirá o comando do maior país da América do Sul inserido em um contexto regional marcado por governos de direita aliados ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

De acordo com Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM-SP, as tensões entre Brasil e Estados Unidos tendem a se intensificar novamente. Em apenas três anos, se formou uma aliança no continente envolvendo líderes como Javier Milei da Argentina, Abelardo De la Espriella da Colômbia, Keiko Fujimori do Peru, Rodrigo Paz na Bolívia e José Antonio Kast do Chile, todos integrantes do Escudo das Américas, uma coalizão de segurança apoiada pelos EUA.

Segundo Rudzit, o isolamento do Brasil no cenário latino-americano antecedeu o avanço da direita regional e se deve tanto ao ambiente geopolítico mais hostil à plataforma de Lula quanto às políticas adotadas pelo próprio governo brasileiro. Ele destaca que, apesar do início promissor do terceiro mandato, com Lula conseguindo reunir presidentes sul-americanos em Brasília e tentando reaproximar Nicolás Maduro, o isolamento do Brasil aumentou, inclusive com resistência de governos de esquerda.

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O esvaziamento da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) nos últimos anos demonstra a dificuldade do país em fomentar a integração regional. Apesar disso, o governo brasileiro tem buscado contato direto entre os líderes sul-americanos.

Em 2025, houve um breve momento de aproximação entre Lula e Donald Trump, que relatou ter tido "química" com o presidente brasileiro. No entanto, paralelamente, os EUA aumentaram tarifas sobre produtos brasileiros enquanto o Brasil manteve discurso de defesa da soberania nacional.

Rudzit ressalta que o desafio principal para Lula é administrar não apenas as complexas relações diplomáticas e comerciais, mas também o contexto de diminuição da lógica tradicional do equilíbrio entre países, em um cenário de queda do multilateralismo, no qual questões econômicas e de segurança nacional estão profundamente interligadas.

As relações entre Brasil e Argentina foram as mais afetadas recentemente, sobretudo após o candidato à presidência argentino Javier Milei proferir acusações de corrupção contra Lula, além de agressões verbais em solo brasileiro durante campanha eleitoral. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) reagiu convocando o embaixador argentino para esclarecimentos, reforçando que atitudes do tipo são inéditas e inaceitáveis.

Apesar disso, o comércio entre os dois países permanece consolidado e tem resistido às tensões diplomáticas, segundo o especialista.

Quanto ao Mercosul, Lula deve continuar apostando na integração do grupo, embora os impactos do afastamento político se façam sentir mais diretamente ali. Na avaliação de Rudzit, o bloco não deve passar por rupturas significativas nem avanços substanciais no futuro próximo.

Politicamente, a vitória de Lula no Brasil apresenta um contraponto ao cenário de direita radicalizada predominante na região, uma vez que, apesar da eleição do petista, os presidentes de direita enfrentam níveis baixos de aprovação em seus respectivos países.

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