Bradesco BBI reduz recomendação para ações do Brasil
Após forte valorização em outubro, Bradesco BBI passa de overweight para neutra em ações do Brasil, ajustando carteira para empresas exportadoras e com receitas previsíveis.
O banco Bradesco BBI anunciou a redução da exposição a ações brasileiras, alterando sua recomendação de overweight para neutra, depois de um mês de forte alta nos ativos do país. Segundo os estrategistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler, a valorização acelerada das ações após as eleições superou o ritmo dos catalisadores que poderiam impulsionar novas altas.
Em outubro, o índice MSCI Brazil registrou ganho aproximado de 13% em dólares, desempenho muito superior ao de índices internacionais como MSCI Emerging Markets, S&P 500 e Nasdaq. Apesar de manterem visão construtiva para o médio prazo, especialmente com a expectativa de cortes na taxa de juros em 2027, os analistas consideram que as maiores valorizações já ocorreram.
O Bradesco BBI destaca que o índice MSCI Brazil está atualmente negociado a 9,3 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, apenas 7% abaixo de sua média histórica de aproximadamente 10 vezes, reduzindo o desconto de 20% registrado em junho. Essa mudança indica que futuros avanços dependerão mais da geração efetiva de resultados corporativos e da evolução da agenda econômica e fiscal do país.
O banco também observa um cenário macroeconômico menos favorável para 2027, com crescimento do PIB estimado em 1,0%, queda em relação a 1,7% em 2026, além de expectativa de aumento do desemprego, desaceleração do crédito e ritmo mais lento nas vendas no varejo. O consenso prevê aumento modesto de 2% nos lucros por ação das companhias brasileiras, inferior ao crescimento nominal da economia.
Além disso, o desafio fiscal permanece relevante, com projeção de elevação da dívida bruta de 83,6% para 88,2% do PIB, o que mantém os investidores atentos à capacidade do governo em implementar medidas de equilíbrio das contas públicas.
Reestruturação da carteira e nova preferência setorial
Em meio a esse contexto, o Bradesco BBI realizou ajustes significativos em sua carteira para a América Latina. Foram excluídas ações que se beneficiaram fortemente da queda dos juros e do aumento do fluxo para a Bolsa, como Banco do Brasil (BBAS3), Petrobras (PETR4), B3 (B3SA3), Equatorial (EQTL3), Cogna (COGN3), Cyrela (CYRE3) e EcoRodovias (ECOR3).
Em contrapartida, foram incorporadas empresas exportadoras e negócios com receitas mais estáveis, entre elas Sabesp (SBSP3), JBS (JBSS3), WEG (WEGE3), Embraer (EMBJ3), Suzano (SUZB3), BB Seguridade (BBSE3) e Cury (CURY3). O banco justifica a preferência por exportadoras por sua combinação atrativa de receitas em dólar e proteção contra uma possível desaceleração da economia doméstica, enquanto empresas reguladas como Sabesp tendem a apresentar fluxos de caixa previsíveis e corrigidos pela inflação.
O BB Seguridade foi destacado pelo dividend yield próximo a 10%, enquanto a Cury chamou atenção pela elevada rentabilidade, com retorno sobre patrimônio estimado em torno de 70%.
Possíveis gatilhos para alterações na recomendação
Apesar da tomada de lucros, a mudança para neutra não representa uma piora estrutural na perspectiva do Bradesco BBI para o Brasil. A instituição informa que poderá retomar posição mais agressiva caso ocorra uma correção significativa nos preços das ações, apresentação de um pacote fiscal considerado crível, aprofundamento do ciclo de flexibilização monetária ou maior retorno de investidores locais ao mercado acionário.
O relatório ainda ressalta que os fluxos de capital estrangeiro permanecem fortes, porém os investidores domésticos detêm uma das menores participações em ações na história recente, o que configura potencial para aumento de demanda caso a confiança no cenário econômico se fortaleça nos próximos meses.
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