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Banco digital Ueno Bank do Paraguai é fechado após fraude contábil de R$ 367,4 milhões

Presidente paraguaio renuncia após crise no Ueno Bank, que foi fechado por fraude contábil de R$ 367 milhões.

 ·  Atualizado em 05/11/2026 às 15h22
Banco digital Ueno Bank do Paraguai é fechado após fraude contábil de R$ 367,4 milhões
Foto: Reprodução/InfoMoney

O Ueno Bank, banco digital que atendia 40% da população paraguaia, foi declarado insolvente após a descoberta de uma operação contábil fraudulenta que simulou a venda à vista de uma carteira de créditos inadimplentes avaliada em US$ 74,4 milhões (cerca de R$ 369,4 milhões, na cotação de 05/11). A Superintendência de Bancos do Paraguai identificou que essa transação, realizada em 15 de junho, usou uma sequência de empréstimos e operações com empresas intermediárias para contornar as normas do Banco Central do Paraguai (BCP).

O Banco Central determinou correções imediatas após constatar que limites de crédito para empresas do mesmo grupo econômico — Grupo Hendy, Grupo M e Mowi — foram excedidos. Para evitar sanções, o Ueno transferiu a carteira para a empresa Vinanzas S.A., também integrante do Grupo Vázquez, caracterizando a operação formalmente como venda à vista, mesmo sem a empresa compradora ter os recursos necessários.

Investigação revelou que, no dia da transação, o banco concedeu empréstimos a outras empresas do grupo, que repassaram os recursos para a Vinanzas. Houve também uma triangulação financeira por meio da emissão e negociação de títulos por outras companhias do grupo, movimentando mais de US$ 76 milhões (cerca de R$ 377,4 milhões) para a conta da Vinanzas dentro do próprio banco. Essa estrutura fragmentada dificultava a fiscalização e escondia a origem dos recursos, configurando um financiamento indireto, prática proibida pelo sistema bancário paraguaio.

Leia também: Ueno Bank do Paraguai colapsa e afeta 3 milhões com mais de R$ 4 bilhões públicos

A movimentação dos recursos permitiu às autoridades desarticular a fraude. A crise levou à intervenção do Banco Central, ao fechamento do Ueno Bank e ao bloqueio do acesso dos clientes a suas contas e investimentos. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, pediu demissão a pedido do presidente da República, Santiago Peña.

O caso provocou repercussão política: o presidente Santiago Peña, eleito em 2023 pelo partido Colorado, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5) em meio a um processo de impeachment aberto contra ele no Congresso paraguaio. Mesmo com o anúncio, o pedido de renúncia ainda será analisado e aceito pelos parlamentares.

A crise teve origem nos ajustes nos balanços do Ueno Bank detectados durante fiscalização, que indicaram queda do índice de solvência para abaixo do mínimo regulatório. O banco era o maior emissor de cartões de crédito do Paraguai, com cerca de 3 milhões de clientes — quase metade da população — e administrava aproximadamente US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,2 bilhões, na cotação de 05/11) em recursos públicos, incluindo fundos do Instituto de Previdência Social, responsável por aposentadorias e serviços de saúde.

Antes de renunciar, Peña promulgou uma lei para que os poupadores do banco pudessem receber parte dos fundos em garantia rapidamente. Ele enfrenta questionamentos sobre sua relação com o Grupo Vázquez, do qual foi sócio até 2025, e a concentração de depósitos públicos no Ueno, o que gerou suspeitas de conflito de interesse.

Peña, mestre em Administração Pública pela Universidade de Columbia e ex-ministro da Fazenda, teve seu governo alinhado ideologicamente com o presidente dos EUA, Donald Trump, e integrou o Paraguai ao “Escudo das Américas”, facilitação de ações militares estadunidenses na América Latina para combate ao crime organizado.

Em defesa, o presidente do Ueno Bank, Juan Manuel Gustale, afirmou desconhecer a destinação dos recursos, explicando que decisões sobre empréstimos são responsabilidade de comitês específicos, não da diretoria ou conselho. Seu advogado ressaltou que a alta administração desconhecia manipulações documentais e não determinava beneficiários dos créditos.

Tags: Banco Central do ParaguaiParaguaiUeno Bankcrise financeirafraude bancária

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