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Lista Conjunta Árabe sinaliza articulação para retirar Netanyahu do poder

Bloco árabe em Israel sinaliza disposição para articular contra governo de Netanyahu após eleição com alta participação árabe.

Partidos árabes em Israel mostraram disposição para romper com precedentes e se articular com partidos judeus para retirar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu do poder, segundo declarações do parlamentar veterano Ahmad Tibi, da Lista Conjunta Árabe.

"Queremos fazer coisas que não fizemos no passado para remover este governo criminoso", afirmou Tibi à Associated Press. A iniciativa representa uma mudança significativa, dada a longa desconfiança e tensões entre os blocos árabe e judeu no Parlamento israelense.

Após uma expressiva participação dos eleitores árabes, que ampliou sua representação no Knesset, a Lista Conjunta disse estar disposta a apoiar um governo contra Netanyahu sem integrar a coalizão formalmente. Essa estratégia busca reduzir a resistência de partidos judeus que olham com desconfiança para o bloco árabe e manter influência política para seus integrantes.

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Até hoje, só o partido Raam, considerado mais moderado e com menor número de cadeiras, participou de um governo em 2021. Ele se mostrou disposto a integrar outra coalizão contra Netanyahu, mas dependeria do apoio, direto ou indireto, da Lista Conjunta para viabilizar a maioria.

Segundo Tibi, caso partidos judeus rejeitem qualquer parceria com os árabes, isso revelaria que Israel funciona como uma "etnocracia, não uma democracia absoluta para todos os cidadãos". Árabes israelenses representam cerca de 20% da população, mas enfrentam histórica desconfiança da sociedade judaica, especialmente diante de posições políticas que questionam a identidade de Israel como Estado judeu.

O quadro político está tenso, com o bloco oposicionista liderado pelo ex-general Gadi Eisenkot conseguindo 48 cadeiras no Parlamento, enfrentando os 53 da coalizão de Netanyahu. A presença dos partidos árabes, que juntos elegeram 19 parlamentares, torna-os decisivos para a formação de um governo alternativo.

A Lista Conjunta pode viabilizar o governo oposicionista votando a favor ou se abstendo, sem participar diretamente da administração. Isso permitiria pressionar pela mudança sem apoiar formalmente políticas militares ou governamentais que não aceita.

Tibi declarou que não espera que a transição de governo encerre conflitos ou resulte em Estado palestino, mas defende que um "governo de reparação" pode melhorar as condições dos cidadãos palestinos em Israel e combater a violência nas comunidades árabes.

Por sua vez, aliados de Eisenkot condicionam parcerias com partidos árabes à rejeição do Hamas como grupo terrorista, algo que a Lista Conjunta e o Raam não aceitam, avaliando que tal definição justifica ações militares israelenses em Gaza. Ambos condenaram tanto o ataque de 7 de outubro de 2023 quanto a resposta israelense.

A referência ao slogan "Bibi ou Tibi?", usado por Netanyahu em 2019 para criticar a possível aliança da oposição com partidos árabes, foi retomada por Tibi para afirmar que, agora, a maior participação árabe traduz uma força política decisiva e histórica nas eleições recentes.

Tags: IsraelLista ConjuntaNetanyahuPartidos árabesPolítica israelense

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