Zelensky retoma ataques a refinarias russas e desafia apelo de Trump para cessar-fogo energético
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky ordenou a retomada dos ataques às refinarias de petróleo da Rússia, contrariando pedido do presidente americano Donald Trump.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, decidiu retomar os ataques contra refinarias de petróleo na Rússia, encerrando uma pausa de três dias que havia sido estabelecida em resposta a um apelo de Donald Trump. A informação foi dada por Zelensky em entrevista ao Financial Times, em Londres, onde declarou: “O bloqueio acabou. Terminamos”.
O apelo, feito por Trump no domingo, pedia um “cessar-fogo energético” com o objetivo de evitar o aumento dos preços globais do petróleo, que segundo ele, foram impulsionados pelos ataques ucranianos a esses alvos. Trump afirmou em entrevista à Newsmax que esses ataques são uma “vergonha”, pois atingem refinarias produtoras de diesel necessárias para os Estados Unidos e o mundo.
Apesar do pedido do presidente americano, Zelensky acusou Trump e o bilionário Elon Musk de limitar a capacidade militar ucraniana ao restringir o uso dos terminais de internet Starshield, fornecidos pela SpaceX, que são utilizados para operações militares e defesa contra ataques russos com mísseis e drones. O serviço do Starshield foi brevemente limitado, mas horas após a iniciativa de Zelensky, suas operações pareciam ter sido normalizadas, segundo uma fonte ligada ao Ministério da Defesa da Ucrânia.
Leia também: União Europeia reafirma apoio a Zelensky em meio a tensões com Trump e aproximação dos EUA à Rússia
A tensão entre Zelensky e Trump aprofunda uma série de divergências desde que o ex-presidente americano retornou ao cargo em janeiro do ano passado. Trump tem pressionado Kiev para aceitar um plano de paz favorável à Rússia, formulado em 28 pontos, enquanto Zelensky critica a postura que considera de preferência a Putin em detrimento da Ucrânia.
Na mesma semana, um ataque com drones atingiu uma refinaria em Ryazan, na Rússia, provocando incêndios, segundo comunicados oficiais russos. Embora a Ucrânia não tenha comentado oficialmente sobre este ataque específico, Zelensky informou que um míssil destruiu uma base aérea na região de Voronezh, eliminando quatro caças Su-34 e impedindo novos ataques russos.
A retomada dos ataques ocorre em meio a um aumento dos bombardeios russos contra infraestrutura energética e áreas civis na Ucrânia, que têm ampliado o número de vítimas. Paralelamente, líderes da União Europeia reforçam seu apoio a Zelensky, rejeitando a normalização das relações com a Rússia e classificando acordos como o fechado por Trump para venda global de diesel russo como “péssimas decisões” que não contribuem para a paz.
Além disso, Zelensky expressou a sensação de traição relacionada ao acordo sobre diesel e às restrições quanto ao serviço Starshield em entrevista ao jornalista britânico Piers Morgan, afirmando que “é doloroso quando o presidente Trump escolhe um lado, e esse lado não é o nosso”.
De forma contrária, Musk publicou mensagens no X sugerindo que Zelensky deveria deixar a presidência da Ucrânia, ressaltando que a decisão sobre o uso do Starshield está sob controle do governo dos Estados Unidos e do presidente Trump.
O confronto diplomático entre os líderes, o ressentimento quanto às limitações da assistência americana, e o impasse nos ataques a refinarias marcam uma fase delicada no conflito entre Rússia e Ucrânia, que permanece cercada de controvérsias e divisões significativas no cenário internacional.
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