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Empresas

Setor de varejo deve enfrentar trimestre difícil, mas bancos identificam oportunidades para 2027

Análises de bancos indicam resultados fracos no varejo brasileiro no terceiro trimestre, mas perspectivas positivas para ações no próximo ano.

19/10/2026 às 13h03

O varejo brasileiro deverá apresentar um desempenho fraco no terceiro trimestre de 2026 (3T26), influenciado por juros elevados, endividamento das famílias e pela desaceleração do consumo, o que afeta diretamente vendas e receitas no setor. Essa avaliação consta em relatório do Bradesco BBI, elaborado pelos analistas Pedro Pinto e Flávia Meireles, que projetam resultados pressionados para praticamente todos os segmentos de consumo e varejo sob sua cobertura.

De acordo com o banco, o consumo em queda resultará em desaceleração das vendas nas mesmas lojas (SSS) e das receitas para a maioria dos segmentos, com diversas empresas apresentando crescimento abaixo da inflação ou mesmo queda em relação ao ano anterior. Além disso, a realização da Copa do Mundo no período impactou negativamente o fluxo de clientes nas lojas.

Entre as empresas analisadas, o Bradesco BBI destaca a Smart Fit (SMFT3) como a principal recomendação no varejo, ressaltando que a companhia se beneficia da diversificação regional. Também Alpargatas (ALPA4) e Grupo PetzCobasi (AUAU3) são apontadas como com desempenho relativamente superior à média do setor.

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Perspectiva dos principais bancos para o setor

Os analistas Pedro Caravina e Laryssa Sumer, da XP Investimentos, esperam um trimestre novamente desafiador para o varejo de vestuário, destacando um consumidor pressionado, ambiente econômico volátil e a concorrência decorrente do comércio internacional (cross-border) como fatores que dificultam as vendas. Para eles, as margens brutas devem mostrar maior resistência do que as receitas, com ganhos de margem previstos para 2027 decorrendo principalmente da execução operacional, e não de ajustes de preços.

Em linha com essa visão, a XP revisou suas estimativas para um segundo semestre de 2026 mais fraco, mas mantém uma visão construtiva para o futuro, apontando que o setor está negociando abaixo dos múltiplos históricos e que eventuais flexibilizações da política monetária podem aliviar o orçamento das famílias e reduzir o custo do capital. Essa melhora é vista como o principal gatilho para a reclassificação do setor. A XP mantém, assim, recomendações de compra para Renner (LREN3, preço-alvo R$18), C&A (CEAB3, preço-alvo R$17) e Riachuelo (RIAA3, preço-alvo R$14).

O BTG Pactual comenta que a recente alta nas cotações das ações do varejo resultou principalmente da expansão dos múltiplos e da redução das taxas de desconto, sem, entretanto, modificações significativas nas projeções de lucro líquido. Segundo o banco, a continuidade da valorização das ações depende da redução das despesas financeiras, revisões positivas nos resultados das empresas e, finalmente, de uma retomada robusta do consumo. Esse cenário beneficiaria especialmente companhias mais sensíveis ao contexto doméstico, enquanto aquelas com crescimento estrutural estariam relativamente protegidas em um cenário de desaceleração prolongada.

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