Goldman Sachs inicia cobertura da Azul com preço-alvo que indica alta de 23% e recomendação neutra
Banco avalia que Azul tem risco-retorno equilibrado, destaca melhora na estrutura de capital e observa cenário racional no mercado aéreo brasileiro.
O banco Goldman Sachs começou a cobertura das ações da companhia aérea Azul (AZUL3) com uma recomendação neutra e estabeleceu um preço-alvo de R$ 20,70 para os papéis negociados no Brasil, além de US$ 8,10 para os recibos de ações (ADRs) comercializados nos Estados Unidos. Esses valores indicam um potencial de valorização de 23% em relação aos preços atuais.
Na avaliação do Goldman Sachs, a Azul apresenta uma relação equilibrada entre risco e retorno quando comparada a outras companhias aéreas sob sua análise. A empresa concluiu seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11, em fevereiro de 2026, e desde então melhorou sua estrutura de capital.
O banco estima que a relação entre dívida líquida e EBITDA da Azul diminua para cerca de 3,1 vezes em 2027, contra mais de 5 vezes em 2025. Ademais, o mercado aéreo brasileiro ainda apresenta comportamento racional, com as empresas focando mais na rentabilidade do que na expansão da participação de mercado.
Mesmo com essa perspectiva, o Goldman demonstra preferência por companhias aéreas de serviço completo, como Copa Airlines e LATAM Airlines, que possuem menor endividamento e maior capacidade de precificação. A projeção para a relação dívida líquida/EBITDA em 2027 é aproximadamente 0,7 para a Copa e 0,8 para a LATAM.
Quanto à avaliação de mercado, a Azul negocia próximo a quatro vezes o valor da firma em relação ao EBITDA projetado para os próximos 12 meses, um múltiplo considerado alinhado ao preço-alvo apresentado pelo banco e similar ao de outras companhias do setor.
Sensibilidade a custos e câmbio
O combustível representa cerca de 31% dos custos totais da Azul, equivalente a aproximadamente 26% da receita. O Goldman Sachs estima que uma variação de 10% no preço do combustível impactaria o EBITDA da empresa em cerca de 10%, assumindo demais fatores constantes e sem repasse de custos nas tarifas.
A Azul obtém o abastecimento de combustível da Petrobras, cujos preços são atualizados com defasagem aproximada de 45 dias em relação às cotações do mercado, fato que confere maior previsibilidade para o planejamento tarifário da companhia.
Em termos cambiais, cerca de 80% da capacidade da Azul está em voos domésticos, com receitas predominantemente em reais, enquanto custos importantes como combustível, manutenção, arrendamento de aeronaves e despesas financeiras são denominados em dólares. O Goldman calcula que uma desvalorização de 10% do real pode reduzir o EBITDA da Azul em aproximadamente 7%, segundo suas premissas.
Contexto do mercado de aviação nacional
O Brasil é um dos maiores mercados domésticos de aviação do mundo, impulsionado por sua vasta extensão territorial, população expressiva e limitações na oferta de transporte ferroviário de alta velocidade.
O setor aéreo doméstico é concentrado em três principais empresas – LATAM, Gol e Azul – que atendem diferentes perfis regionais. A Azul tem foco na conexão entre cidades secundárias e grandes centros, enquanto LATAM e Gol concentram suas operações nas principais rotas entre as grandes cidades brasileiras.
O setor alcançou um crescimento considerável após a pandemia, registrando um recorde de aproximadamente 130 milhões de passageiros em 2025, aumento de 10% em relação a 2024. Deste total, o tráfego doméstico ultrapassou 100 milhões de passageiros pela primeira vez, com o internacional atingindo cerca de 28 milhões.
No mercado doméstico, a LATAM lidera com 39% dos passageiros, seguida pela Gol com 31% e Azul com 30%.
Fatores que podem elevar a avaliação da Azul
O Goldman Sachs destaca que fatores como valorização do real, que reduziria os custos dolarizados da companhia, e queda nos preços globais do combustível, poderiam tornar a perspectiva para a Azul mais positiva.
Além disso, melhorias na liquidez das ações e maior clareza quanto à política de remuneração aos acionistas seriam aspectos bem recebidos pelo mercado, contribuindo para a reavaliação dos papéis da empresa.