Empresas brasileiras enfrentam desafios financeiros no 3º trimestre de 2026, aponta análise da Folha
Temporada de balanços revela impacto de juros altos e desaceleração econômica para empresas brasileiras em 2026.
A temporada de balanços das empresas brasileiras referente ao terceiro trimestre de 2026, iniciada em 20 de outubro, sinaliza desafios consideráveis frente ao atual cenário econômico caracterizado por juros elevados e crescimento econômico desacelerado, conforme análise da Folha.
Segundo especialistas consultados, a expectativa geral é de resultados financeiros modestos ou negativos para grande parte das companhias, com poucas exceções. Dentre as maiores do Ibovespa, Petrobras, Sabesp e alguns bancos devem apresentar desempenhos mais positivos.
A taxa Selic ainda permanece em patamar elevado, pouco abaixo de 14% para 13,75%, o que aumenta o custo do endividamento e reduz margens de lucro, sobretudo para empresas focadas no mercado interno e setores cíclicos como o varejo. Apesar da recente redução, os efeitos deverão ocorrer de forma gradual e demorada.
As empresas de petróleo, energia e infraestrutura são apontadas como setores com maior resiliência neste período, beneficiadas pelos preços do barril de petróleo tipo Brent acima de US$ 100, cenário que sustenta a lucratividade dessas companhias.
De acordo com levantamento da Folha baseado em dados da consultoria Elos Ayta e estimativas da Bloomberg, o lucro líquido acumulado das dez empresas mais relevantes do Ibovespa deve crescer 16% em comparação ao terceiro trimestre de 2025. Contudo, quando comparado ao segundo trimestre deste ano, os lucros devem apresentar queda de 10%.
Entre as empresas consideradas no top 10 do Ibovespa estão Vale, Itaú Unibanco, Petrobras, Axia Energia (antiga Eletrobras), Sabesp, Bradesco, B3, BTG Pactual, Weg e Embraer, excluindo a holding Itaúsa.
O desempenho projetado para a Axia Energia no período melhora se desconsiderados efeitos contábeis negativos do período passado relacionados a perdas com vendas de ativos, perfilando um cenário ligeiramente positivo para a companhia.
O setor varejista demonstra retração no consumo, com vendas em agosto de 2026 crescendo apenas 0,1% frente ao mesmo mês do ano anterior, abaixo das expectativas. Empresas que vendem produtos essenciais, como farmácias, apresentam maior resistência, com crescimento nas vendas de artigos farmacêuticos em 4,8%, impulsionado pela demanda por itens de saúde e produtos emergentes, como canetas emagrecedoras.
A Petrobras, conforme dados consolidados pelo consenso Bloomberg, deve alcançar lucro líquido de aproximadamente R$ 42,5 bilhões no trimestre, um incremento de quase R$ 10 bilhões em relação ao mesmo período de 2025. O setor petrolífero tem se beneficiado do aumento dos preços internacionais do petróleo, impacto este decorrente, entre outros fatores, do conflito no Irã.
Analistas também destacam potenciais riscos relacionados à dependência do Brasil de tecnologia importada e aos custos logísticos elevados, que podem limitar os ganhos provenientes da exportação de petróleo nesse cenário.