Bitcoin recua a US$ 80 mil e atinge menor nível em três semanas com pressão de inflação e queda em ações de tecnologia
Bitcoin cai para região de US$ 80 mil diante de inflação americana acima do esperado e vendas pesadas em ações de IA na Ásia.
O Bitcoin registrou forte queda nesta quinta-feira (15), testando a faixa de US$ 80 mil, seu menor valor em mais de três semanas. O movimento ocorre em meio à divulgação de dados inflacionários nos Estados Unidos que superaram as expectativas e à forte correção em ações de tecnologia na Ásia, especialmente relacionadas a inteligência artificial (IA).
Por volta das 10h40 (horário de Brasília), a criptomoeda era negociada a aproximadamente US$ 80,3 mil, o que representa uma desvalorização de cerca de 2,4% nas últimas 24 horas, depois de atingir a mínima intradiária de US$ 80,1 mil. Paralelamente, o Ether (ETH) também recuava mais de 4%, sendo cotado próxima de US$ 2.340.
Influência da inflação e mercado global
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA subiu 0,6% em setembro, alinhado às expectativas, enquanto a variação anual chegou a 3,7%, acima da estimativa de 3,6%. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, acelerou para 0,3% no mês e 2,6% em 12 meses, superando as projeções de 0,2% e 2,5%, respectivamente. O aumento nos preços da gasolina foi o principal responsável pelo crescimento mensal, embora a pressão inflacionária tenha sido disseminada.
Esses dados elevaram a probabilidade de um novo aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) em outubro, saltando de cerca de 22% para aproximadamente 35%. De acordo com analistas do BTG, a coexistência de inflação persistente e juros mais altos por tempo prolongado tende a reduzir a liquidez e aumentar o custo do capital, configurando um ambiente desfavorável para ativos de risco, incluindo criptomoedas.
Além disso, as vendas no varejo dos EUA tiveram alta de 0,8% em setembro, superando a previsão de 0,3%, reforçando o cenário de inflação mais resistente que desafia a política monetária.
Reação dos mercados asiáticos e pressão nas criptomoedas
No mercado asiático, a Bolsa da Coreia do Sul (Kospi) sofreu uma queda acentuada de 7,5%, atingindo a mínima desde abril, impactada por desinvestimentos em papéis ligados à inteligência artificial, como os das empresas SK Hynix e Samsung Electronics. Nos Estados Unidos, os futuros do índice Nasdaq operavam em baixa superior a 1% na manhã de hoje.
O mercado cripto sentiu os efeitos dessa turbulência, com liquidações próximas de US$ 1 bilhão nas últimas 24 horas, predominantemente em posições com aposta na valorização, segundo dados da CoinGlass. Fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin à vista nos EUA registraram retiradas de US$ 261,5 milhões no dia do anúncio do CPI, segundo informações da SoSoValue.
Com o preço do Bitcoin abaixo do custo médio de aquisição estimado para investidores dos fundos (cerca de US$ 81,5 mil), o cenário confirma a perspectiva de queda mencionada pela Bitfinex antes da divulgação do CPI. A exchange alertou que a manutenção abaixo do patamar de US$ 81.300 por mais de uma sessão, em conjunto com saídas nos ETFs, pode levar o preço para níveis próximos da média verdadeira de mercado, estimada em US$ 77,4 mil.
Por outro lado, há indicativos de acumulação por grandes investidores, com as reservas de baleias fora das corretoras alcançando 3,03 milhões de BTC, patamar recorde desde novembro de 2025, conforme dados da CryptoQuant. A tesouraria de empresas também ampliou as posições recentemente, com compras relevantes da Strategy e da Strive, demonstrando apetite institucional mesmo com o cenário de volatilidade.