EUA ampliam base militar no Equador contra o narcotráfico
Base aérea de Taura, no Equador, fortalece operações dos EUA contra o tráfico de drogas no Pacífico.
Os Estados Unidos têm ampliado a presença militar na base aérea de Taura, próxima a Guayaquil, no Equador, para fortalecer as operações contra o narcotráfico na região do Pacífico. Documentos militares, imagens de satélite e registros de voos indicam que desde junho de 2026 ocorre intensa movimentação de aeronaves e obras de infraestrutura no local.
A base de Taura, com mais de 70 anos de existência, está situada a aproximadamente uma hora de Guayaquil, principal porto de saída de drogas com destino aos Estados Unidos. Nessa instalação, foram observadas construções de tendas modulares rápidas e a montagem de um hangar retrátil para manutenção de aeronaves.
Entre junho e meados de outubro, cerca de 20 voos militares americanos foram registrados partindo ou chegando a Taura, incluindo aviões de transporte C-130 Hércules e C-17 Globemaster, aeronaves híbridas V-22 Osprey e helicópteros Black Hawk. Alguns desses voos tiveram conexão com bases americanas como a dos Fuzileiros Navais em Cherry Point, Carolina do Norte, e a base de Dover, Delaware, com escalas em Porto Rico e Panamá.
Controvérsia e legalidade da presença militar
A expansão da base ocorre após um referendo no Equador, realizado menos de um ano antes, em que a população rejeitou a instalação de bases militares estrangeiras. Internamente, houve questionamentos legais relacionados à permanência de tropas americanas no país. O então comandante da Força Aérea equatoriana, Mauricio Salazar, pediu esclarecimentos formais sobre a base jurídica para a presença militar estrangeira, mas posteriormente foi afastado do cargo.
O presidente equatoriano, Daniel Noboa, declarou que está trabalhando em parceria com os Estados Unidos, Brasil e União Europeia para concentrar esforços de cooperação em Taura, incluindo melhorias na pista de pouso para suportar operações conjuntas.
Contexto e impacto local
Os Estados Unidos já mantiveram uma base militar no porto de Manta entre 1999 e 2009, considerada um ponto chave no combate ao tráfico de drogas da época. A nova presença em Taura acontece em silêncio na maior parte, com poucas manifestações oficiais, e ocorre enquanto o governo americano reforça sua estratégia contra cartéis na América Latina e Caribe, pouco antes das eleições legislativas dos EUA.
Na área próxima à base vive o povoado de Taura, com cerca de 9.400 habitantes, muitos dos quais dependem da agricultura e da atividade pesqueira. A ampliação da base tem gerado sentimentos mistos entre os moradores, entre preocupações com recursos como acesso à saúde e expectativas relacionadas à segurança, já que o Equador apresenta uma taxa alta de homicídios na América do Sul.
Especialistas apontam que a infraestrutura e os equipamentos observados indicam que a presença americana na base pode ser duradoura, possibilitando rápida mobilização regional de tropas e manutenção de aeronaves.
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