Eleições de meio de mandato nos EUA renovam Congresso
Em 3 de novembro, os Estados Unidos realizam as eleições midterms para renovar a Câmara e um terço do Senado.
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, estão marcadas para o dia 3 de novembro de 2026. Nesta data, ocorrerá a renovação de quase todo o Congresso americano, que compreende a totalidade da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado, conforme regras diferentes das do sistema eleitoral brasileiro.
O Congresso dos EUA é formado por duas casas: o Senado, com 100 senadores — dois por estado, independentemente da população — e a Câmara dos Representantes, com 435 membros, cuja distribuição é proporcional à população dos estados, divididos em distritos eleitorais.
Antes das eleições oficiais, os partidos realizam eleições primárias para selecionar os candidatos que disputarão os cargos. Na maioria dos casos, a disputa final concentra-se entre candidatos republicanos e democratas, que venceram seus respectivos processos. Embora candidatos independentes possam participar, eles têm menor visibilidade e voto.
Os Estados Unidos não dispõem de um órgão nacional responsável pela coordenação das eleições, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no Brasil. Cada estado é responsável pela apuração dos votos, a qual começa quando os locais de votação fecham, horário que varia conforme o estado. Assim, os primeiros resultados geralmente são divulgados na noite da eleição, mas a definição completa dos vencedores pode levar dias devido, entre outros motivos, à contagem dos votos postais.
Contexto político e disputas nas eleições
Nas eleições realizadas em 2024, o Partido Republicano conquistou maioria em ambas as casas do Congresso, o que permitiu ao então presidente Donald Trump influenciar a pauta legislativa. No entanto, o controle republicano é numericamente apertado, e a aprovação do governo Trump registra índices entre os mais baixos da série histórica, com 66% de desaprovação conforme pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em outubro de 2026.
Projeções atuais indicam que os democratas têm chances de conquistar a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes, o que alteraria a dinâmica política a partir de 2027. O centro acadêmico Center for Politics, da Universidade da Virgínia, e o site de análises políticas FiveThirtyEight apresentam cenários que reforçam essa tendência.
Voto pelo correio e redesenho de distritos eleitorais
O voto pelo correio é permitido em todos os 50 estados, com regras variadas: 37 estados e o Distrito de Columbia permitem a solicitação da cédula postal sem necessidade de justificativa. O presidente Trump tem defendido restrições ao voto postal, alegando vulnerabilidade a fraudes, posição contestada por estados e organizações que argumentam que a regulamentação eleitoral é competência do Congresso e dos estados, não do presidente.
Outra questão central nas midterms é o redesenho dos distritos eleitorais, processo pelo qual republicanos e democratas buscam mapear as regiões eleitorais de forma vantajosa. Exemplos recentes incluem o Texas, onde o mapa foi redesenhado para favorecer os republicanos, e a Califórnia, que reagiu com mudanças para favorecer os democratas. Outros estados envolvidos nessa disputa são Alabama, Flórida, Louisiana, Carolina do Norte, Ohio, Tennessee e Utah.
Essa estratégia é fundamental para o controle dos votos nos próximos ciclos e tem impacto direto no resultado das eleições, assim como no equilíbrio político do Congresso.
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