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Eleições em Israel terminam sem maioria para formar governo

Pesquisas de boca de urna indicam que nem Netanyahu nem oposição alcançam maioria no Parlamento israelense.

As urnas fecharam em Israel nesta terça-feira (27), marcando a realização das primeiras eleições gerais desde o início da guerra na Faixa de Gaza. Pesquisas de boca de urna indicam um impasse político, já que nem o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem seu principal adversário, Gadi Eisenkot, alcançaram maioria suficiente para formar um governo no Parlamento, o Knesset, que possui 120 cadeiras.

Segundo as projeções divulgadas pelas principais redes de televisão, nenhuma das duas forças políticas conseguiu obter ao menos 61 assentos, número necessário para indicar oficialmente o primeiro-ministro. Isso torna inevitável a necessidade de negociações para formação de coalizões, com partidos menores ganhando papel decisivo. A apuração dos votos poderá ser demorada, e o resultado pode levar a um governo interino comandado por Netanyahu enquanto as negociações avançam.

Benjamin Netanyahu, que ocupa o cargo há quase 19 dos últimos 30 anos, enfrenta desgaste político e processos na Justiça, inclusive com um mandado de prisão internacional. Apesar disso, mantém apoio significativo, sobretudo por sua postura nas questões de segurança externa, incluindo a guerra contra o Hamas iniciada em 2023, que resultou em mais de 1.200 mortes e milhares de feridos. Netanyahu centralizou a campanha nas questões de segurança nacional e na guerra contra o Irã, outra frente de conflito do país.

Leia também: Eleições em Israel afetam Trump, Irã e futuro palestino

Seu principal adversário, Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, tem 66 anos e é visto como uma alternativa moderada e de centro, tendo entrado na política há quatro anos. Ele criticou a condução do país pelo atual primeiro-ministro, especialmente após deixar o gabinete de guerra oito meses depois dos ataques do Hamas.

A participação eleitoral foi recorde e a população israelense demonstrou estar dividida entre o apoio à liderança de Netanyahu e críticas a sua gestão, especialmente em relação às falhas de inteligência que permitiram o ataque do Hamas em 2023. O resultado dessas eleições poderá levar a longas negociações para a formação de alianças, ou até mesmo a realização de novas eleições no futuro próximo, situação que o país já enfrentou anteriormente.

A decisão sobre o futuro governo também está diretamente relacionada às alianças políticas, incluindo a coalizão de direita liderada por Netanyahu, que conta com o partido de extrema-direita Otzma Yehudit, comandado por Itamar Ben-Gvir, atual ministro de Segurança Nacional, figura controversa que influencia as políticas voltadas para a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

Este cenário complexo e fragmentado reforça o clima de incerteza política em Israel, um país cuja estabilidade e segurança são essenciais tanto para a região quanto para a comunidade internacional.

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