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Transportes públicos de Cuba enfrentam colapso histórico devido à escassez de combustível

O setor de transporte público em Cuba registra queda de até 90% nas viagens, impactado pelo bloqueio de combustível imposto pelos EUA.

 ·  Atualizado em 22/10/2026 às 11h02

O transporte público em Cuba atingiu níveis mínimos jamais registrados devido ao bloqueio de combustível imposto pelos Estados Unidos, segundo revelou o ministro dos Transportes cubano, Eduardo Rodríguez Dávila, em entrevista exclusiva à Reuters em Havana.

Desde janeiro, quando os EUA aplicaram uma proibição efetiva às importações de combustível para o governo de Cuba, a ilha caribenha de 1.250 km enfrenta um colapso significativo no setor de transporte público.

Redução drástica dos serviços e impactos sociais

Rodríguez Dávila revelou que as viagens de passageiros no transporte público devem cair 75% em 2026 comparado ao ano anterior. Em Havana, o número de viagens diárias de ônibus para as províncias caiu de 419 em 2025 para apenas 11. As linhas de ônibus em toda a ilha reduziram de mais de 100 para 21, e o transporte interurbano, fundamental para trabalhadores, deve sofrer uma queda de 90%.

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O ministro explicou que essas limitações têm consequências sociais graves, como a dificuldade que famílias enfrentam para se locomover, visitar parentes doentes ou acessar hospitais. Além disso, a previsão é que o transporte doméstico de cargas caia para cerca de 20 milhões de toneladas em 2026, menos de um terço das 70 milhões transportadas no ano anterior.

Adaptações e aumento no uso de veículos elétricos

Como alternativa, muitos cubanos têm recorrido a caronas, combinações improvisadas de viagens e, principalmente, ao transporte privado, que é significativamente mais caro. O uso de veículos elétricos também se expandiu. Conforme o ministro, hoje existem cerca de 150 mil carros, bicicletas e triciclos elétricos, o dobro do número registrado em 2025, representando aproximadamente 15% do total de um milhão de veículos na ilha, levando em consideração carros não registrados.

Até agosto, 40% das importações de veículos eram elétricos, um aumento comparado aos 3,5% em janeiro de 2025, impulsionado por incentivos fiscais para veículos movidos a energia elétrica. Rodríguez Dávila observou, entretanto, que o crescimento dos veículos elétricos supera a oferta de energia renovável, dificultando ainda mais sua plena adoção.

Contexto do bloqueio e posicionamentos

Os Estados Unidos justificam o bloqueio e as sanções adicionais como medidas para desestabilizar o governo cubano, considerado por eles ineficaz e corrupto. Por outro lado, Cuba e as Nações Unidas classificam o bloqueio como ilegal e uma violação dos direitos humanos dos cubanos.

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