Temporada de balanços dos bancos foca na inadimplência alto e impactos do cenário eleitoral
Resultados do 3º trimestre dos bancos brasileiros são acompanhados de perto pelos investidores em meio a preocupações com inadimplência e cenário pós-eleição.
A temporada de divulgação dos resultados financeiros do terceiro trimestre dos grandes bancos brasileiros tem início nesta semana, com os investidores atentos principalmente à qualidade dos ativos, diante da inadimplência elevada e do endividamento das famílias, segundo informações divulgadas em 21 de outubro de 2026.
Conforme análise do UBS BB, é esperado que as instituições financeiras transmitam mensagens importantes durante suas conferências, especialmente porque grande parte das divulgações ocorrerá após o segundo turno da eleição presidencial, marcado para o próximo domingo. O desempenho das ações dos maiores bancos do país teve expressiva valorização após o primeiro turno e o cenário eleitoral atual, que tiveram influência nas expectativas de mercado quanto a possíveis alterações nas políticas econômicas e fiscais.
Dados do Banco Central indicam que a inadimplência para recursos livres chegou a 6,6% em agosto, atingindo o maior patamar desde o início da série histórica em 2011. Essa situação tem levado o Banco Central a estudar medidas macroprudenciais para conter o endividamento populacional, incluindo ajustes em exigências de capital, compulsórios e tributos como o IOF.
Leia também: Gafisa adia divulgação dos resultados do segundo trimestre para 23 de outubro
Banco do Brasil sob cautela dos analistas
O Banco do Brasil (BB) é o foco de preocupações entre analistas devido à fraqueza operacional e à alta concentração de empréstimos no setor do agronegócio, que registra baixa regularização de pagamentos. Provisões para perdas podem aumentar significativamente no trimestre, potencialmente levando a uma queda de até 50% no lucro antes dos impostos em relação ao trimestre anterior. O banco apresentará seus resultados em 11 de novembro.
A recomendação sobre as ações do BB foi rebaixada pelo JPMorgan para 'underweight', e há expectativa de que desafios na qualidade dos ativos, especialmente no crédito rural, permaneçam no próximo ano.
Perspectivas para Bradesco, Itaú, BTG e Santander
O Bradesco inicia os relatórios do setor em 21 de outubro, com previsões de resultado levemente negativo devido ao aumento das provisões que devem compensar ganhos na margem financeira. Já o Itaú Unibanco deve apresentar resultados sólidos e consistentes, apoiados na qualidade dos ativos e controle de custos, com divulgação prevista para 3 de novembro.
O BTG Pactual projeta crescimento moderado dos lucros e sólida performance nas operações de crédito, enquanto o Santander Brasil enfrenta expectativas de desafios decorrentes da deterioração da qualidade dos ativos e compressão de spreads, com balanço esperado para 28 de outubro.
Expansão do Nubank e cenário geral do mercado
O Nubank segue com forte expansão das receitas, embora possa enfrentar aumento nas provisões em relação ao trimestre anterior, apresentando seus números em 12 de novembro. Em geral, o setor financeiro atravessa um momento desafiador, com a qualidade dos ativos e o cenário eleitoral influenciando as perspectivas para os próximos meses.
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