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Shein pagará US$100 mi para encerrar investigação da FTC

Shein desembolsa 44% de lucro trimestral para resolver apuração da Comissão Federal de Comércio dos EUA sobre atrasos na entrega e reclamações.

A gigante chinesa de fast fashion Shein aceitou pagar US$100 milhões para encerrar uma investigação da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) relacionada a atrasos nas entregas e inúmeras reclamações de clientes. Segundo fontes com conhecimento direto do assunto, o valor corresponde a cerca de 44% do lucro da empresa no segundo trimestre de 2026.

A investigação da FTC foi motivada por mais de 12 mil reclamações de consumidores registradas entre janeiro de 2020 e junho de 2026, relativas a compras que somam mais de US$11 milhões. Alguns relatos indicam que clientes nunca receberam produtos que a Shein marcou como entregues, além de problemas não solucionados pelo atendimento ao consumidor da empresa.

A Shein, fundada na China e com sede em Cingapura, confirmou que chegou a um acordo 'construtivo' com a FTC e anunciou que divulgará mais detalhes em breve. Um porta-voz da comissão não quis comentar o caso.

Além das dificuldades nos Estados Unidos, a varejista enfrenta uma forte pressão regulatória e tributária também na Europa, onde já registrou queda de 22% no preço de suas ações desde sua estreia na bolsa em setembro. Novas taxas alfandegárias da União Europeia, aplicadas a partir de novembro, elevarão os custos de importação, afetando diretamente os preços e a competitividade da Shein no mercado europeu.

Em resposta a essas adversidades, a CEO Sky Xu revelou que a companhia pretende desenvolver marcas com preços mais elevados para melhorar a rentabilidade, afastando-se da estratégia anterior de oferecer produtos a preços muito baixos.

Além das questões comerciais, a Shein ainda está sob investigação da Comissão Europeia por venda de produtos ilegais em seu marketplace e foi penalizada no passado com uma multa de 150 milhões de euros na França por uso inadequado de cookies.

Casos similares de sanções administrativas por problemas com entregas também já ocorreram com outras empresas do varejo online, como a norte-americana Fashion Nova, multada pela FTC em 2020, e a Hey Dude, penalizada em 2023 por condutas relacionadas a atrasos e transparência com clientes.

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