Sanepar busca expansão em outros estados e avalia parceria com
CEO da Sanepar destaca intenção de atuar nacionalmente, parceria com grupo espanhol para água de reuso e planos para universalizar saneamento até 2029.
Em evento realizado em São Paulo, o CEO da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Wilson Bley, anunciou que a estatal tem planos para expandir sua atuação para outros estados. De acordo com Bley, a Sanepar busca se posicionar como uma operadora de alcance nacional, considerando futuras participações em consórcios para novos investimentos, sem prejudicar o atendimento no Paraná.
O executivo também não descartou a possibilidade de firmar parcerias com outras companhias do setor, incluindo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Segundo ele, essas alianças visam trazer novas receitas à empresa e aplicar a expertise acumulada pela Sanepar ao longo dos anos.
A Sanepar, que é uma sociedade de economia mista controlada pelo governo do Paraná, atende atualmente 344 municípios no estado e um município em Santa Catarina. A companhia firmou recentemente uma parceria com o grupo espanhol GSInima durante a Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente (Fenasan), com foco no fornecimento de água de reuso para indústrias. O objetivo é substituir o uso de água potável por água tratada proveniente do esgoto para fins industriais.
No planejamento estratégico, a empresa pretende antecipar a universalização do saneamento para 2029, quatro anos antes do prazo estabelecido pelo marco legal do setor. Para isso, projeta aumentar a cobertura de coleta e tratamento de esgoto de 84% para 90%. O plano de investimentos prevê destinar R$ 13 bilhões entre 2026 e 2030, com o tratamento de esgoto sendo o principal foco, relembrando que para cada 1% de aumento na taxa de tratamento, o investimento estimado é de R$ 1 bilhão.
Além de expandir seu mercado e melhorar a infraestrutura, a Sanepar está avaliando oportunidades no mercado de carbono, utilizando emissões de óxido nitroso provenientes do tratamento de esgoto para possíveis negociações. O executivo ressaltou que os investimentos serão planejados não apenas para redução de custos, mas para garantir sustentabilidade.
Wilson Bley também citou a infraestrutura de cerca de 110 mil quilômetros de rede subterrânea da Sanepar, que pode ser utilizada para serviços de fibra óptica, agregando novas receitas para a empresa.
Em relação ao desempenho financeiro, a Sanepar registrou receita líquida de R$ 1,9 bilhão no segundo trimestre de 2026, apresentando aumento de 11,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. No semestre, a receita alcançou R$ 3,85 bilhões. No entanto, a companhia teve prejuízo de R$ 505,2 milhões no trimestre em razão de provisões relacionadas a decisões regulatórias sobre o repasse de precatórios.
O CEO mencionou que os recursos provenientes de novos negócios serão direcionados majoritariamente para a redução das tarifas dos consumidores, mantendo parte para investimento e operação da empresa.
Sobre a possibilidade de privatização da estatal, Wilson Bley afirmou que a companhia atua de modo mercadológico, sem um posicionamento ideológico, e que a privatização dependerá da decisão do governo estadual. Atualmente, a empresa não vê essa medida como necessária para atingir seus objetivos estratégicos.
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