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Rejeição ao adversário é principal motor de engajamento digital nas eleições entre Lula e Flávio Bolsonaro

Pesquisas indicam que o confronto nas redes sociais mobiliza mais os eleitores do que a defesa dos próprios candidatos nas disputas de Lula e Flávio.

Em meio à disputa presidencial de 2026, o engajamento político nas redes sociais dos eleitores de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) tem sido impulsionado mais pela rejeição ao adversário do que pela defesa notória de seus próprios candidatos, revela análise do cientista político Renato Dolci, diretor da Dados Timeless.

Durante entrevista ao programa Mapa de Risco, do InfoMoney, Dolci destacou que as discussões digitais exibem diferenças temáticas entre as comunidades da esquerda e da direita. Nas comunidades identificadas com a esquerda, temas como liberdade de expressão e oposição ao fascismo estão entre os principais fatores que mobilizam os apoiadores. Já na direita, o Supremo Tribunal Federal (STF) teve papel central, especialmente no primeiro turno, exercendo mais influência sobre o engajamento do que o próprio candidato.

O cientista político explicou que o entusiasmo e o engajamento dos grupos eleitorais são alimentados não apenas pela identificação com um projeto político, mas também por um forte receio do adversário ganhar poder e implementar medidas consideradas inaceitáveis. "Eu voto muito mais por aquilo que eu odeio como ideia, ou que eu não considero que tenha capacidade de mudança, do que necessariamente qualquer ideia que eu seja muito extremista", afirmou.

Leia também: Lula e Flávio Bolsonaro intensificam disputa digital na reta final para o segundo turno

Além disso, Dolci observou que a rejeição a ideias e instituições opostas ajuda a organizar comunidades digitais já politicamente consolidadas, que participam de campanhas coordenadas e amplificam conteúdos contra o campo adversário. Porém, o levantamento alerta que o volume de publicações e a intensidade do engajamento não necessariamente refletem mudanças significativas na intenção de voto.

Segundo o analista, houve no segundo turno uma ampliação no engajamento digital das campanhas, com Lula superando Flávio Bolsonaro em volume, impulsionado por influenciadores, parlamentares e grupos organizados. Ainda assim, ele ressalta que "a volumetria métrica no digital é muito mais barulho do que sinal de tendência".

Finalmente, Dolci chama atenção para a importância das campanhas em conseguirem ultrapassar as próprias bases e levar suas mensagens a públicos que não compartilham a mesma identificação partidária, principalmente na reta final da eleição presidencial, quando a habilidade de alcançar pessoal fora da base eleitoral pode ser mais relevante que a simples contagem de mensagens, curtidas ou compartilhamentos nas redes sociais.

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