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Presidente da Nissan alerta para descompasso real entre vendas e produção de veículos no Brasil

Ricardo Gondo destaca que crescimento da produção brasileira é menor quando excluídos regimes CKD e SKD, enquanto o mercado de vendas avança forte em 2026.

Ricardo Gondo, presidente da Nissan do Brasil desde agosto de 2026, afirmou que o descompasso entre vendas e produção de veículos no país é mais significativo do que demonstram os números oficiais divulgados pela Anfavea.

Segundo Gondo, os registros da produção automotiva no Brasil, que mostram alta de 8,7% no acumulado entre janeiro e setembro de 2026, ao considerar todos os processos, como os regimes CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down), não refletem a realidade da indústria local. Ao excluir esses processos, que consistem em importação de veículos em partes ou parcialmente montados, o aumento real da fabricação é de apenas 2,5% comparado ao mesmo período do ano anterior.

No mesmo intervalo, as vendas de veículos alcançaram crescimento mais expressivo, de 18,1%, totalizando 2,26 milhões de unidades emplacadas, impulsionando a expectativa para mais de 3 milhões de veículos comercializados no ano. Entretanto, Gondo expressa preocupação frente às rápidas transformações do mercado, especialmente quanto às mudanças nas preferências dos consumidores, que migraram de sedãs para SUVs em velocidade maior do que o habitual.

O executivo também destacou a influência crescente das montadoras chinesas, bem como a popularização dos modelos eletrificados, fenômeno ao qual a indústria japonesa tem dificuldades para se adaptar com a mesma agilidade. As montadoras BYD, GWM, Geely e a General Motors — com suas linhas chinesas — contribuem para o avanço dos regimes CKD e SKD, que, segundo Gondo, impactam negativamente na geração de empregos no país, uma vez que grande parte da produção é originada a partir de componentes importados.

Gondo ressaltou ainda a importância de políticas industriais, elogiando o programa Move Brasil como um incentivo necessário para sustentar o crescimento esperado do mercado. Ele afirmou que sem esses programas, talvez o mercado nacional não estivesse alcançando a marca prevista de 3 milhões de unidades vendidas.

A Nissan, por sua vez, apresentou crescimento significativo na produção na planta de Resende (RJ), com 65.640 veículos produzidos até setembro, um aumento de 29,5% em relação ao ano anterior. No entanto, a empresa se prepara para adaptações no modelo operacional com o fim da escala de trabalho 6x1, o que deverá acarretar um aumento de custos no curto prazo.

Apesar de a produção crescer, as vendas da Nissan no Brasil mantiveram-se praticamente estáveis, com queda marginal de 0,2% no acumulado do ano, impactadas pelo fim das importações de modelos como o sedã Sentra e o encerramento da fábrica da Frontier na Argentina. Em contrapartida, a empresa ampliou as exportações, enviando 14.716 veículos para 13 países latino-americanos, um crescimento de 145% frente ao ano anterior.

Embora ainda não haja definição, a montadora considera a possibilidade de introduzir mais veículos por meio dos regimes CKD e SKD no mercado nacional. Além disso, foram anunciados seis lançamentos para a América Latina, dos quais três conterão tecnologias híbridas ou elétricas, incluindo modelos chineses como o sedã elétrico N7.

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