Pular para o conteúdo

Petrolíferas mantêm lucros e evitam novas refinarias

Grandes empresas investem em recompra de ações e redução de dívidas, resistindo a construir novas refinarias mesmo com preços elevados.

Grandes empresas petrolíferas como ExxonMobil, Chevron, BP, Shell e TotalEnergies registraram lucros líquidos superiores a US$ 50 bilhões (R$ 248,3 bilhões na cotação de hoje) no terceiro trimestre de 2026, período em que os preços da gasolina, diesel e combustível de aviação mantiveram-se próximos das máximas históricas.

Esses lucros expressivos foram alavancados pelas operações de refino, que funcionaram quase em capacidade máxima para aproveitar os preços altos e compensar a escassez causada pela guerra no Irã, que afetou o trânsito pelo Estreito de Hormuz, e também pelos ataques às refinarias russas na Ucrânia. Cerca de 10% da capacidade global de refino ficou fora de operação neste ano.

Apesar do cenário favorável aos negócios, as grandes petrolíferas têm evitado investir em novas refinarias, que demandam altos custos e anos para ficarem operacionais. Em vez disso, as empresas optaram por distribuir parte dos ganhos aos acionistas, por meio de programas de recompra de ações, como os US$ 5 bilhões (R$ 24,8 bilhões na cotação de hoje) anunciados pela Shell para este trimestre e os US$ 20 bilhões (R$ 99,3 bilhões na cotação de hoje) da Exxon previstos para 2027, ou ainda pela redução de dívidas, estratégia adotada pela BP.

As companhias fizeram apenas pequenos investimentos para aumentar a eficiência das instalações existentes, elevando o rendimento e a utilização das refinarias. Segundo o analista Allen Good, da Morningstar, a tendência é que a demanda futura por combustíveis decline, o que desestimula a construção de novas refinarias no Ocidente.

Executivos, como a CEO da BP, Meg O’Neill, afirmam que, embora não planejem vender mais ativos de refino, não há intenção de ampliar a capacidade no momento. Refinarias menores, como a Phillips 66, concentram os investimentos em infraestruturas para armazenamento e transporte, enquanto realizam apenas melhorias graduais em seus ativos de refino.

Por outro lado, a Valero adquiriu uma refinaria inativa em Houston e planeja aumentar sua capacidade até o fim de 2027. Internacionalmente, regiões como China, Oriente Médio, Nigéria, Índia e México têm investido para expandir a capacidade de refino, compensando a redução observada na Europa e América do Norte, que somam perda de 2,1 milhões de barris diários desde 2019.

Especialistas indicam que a escassez de diesel deve persistir até 2027, mantendo as margens de refino elevadas. O estrategista Joe DeLaura projeta que o barril de petróleo Brent fique em média a US$ 120 no primeiro semestre do ano seguinte, com o crack spread do diesel permanecendo em torno de US$ 100 por barril.

Mesmo diante do risco de escalada da guerra no Oriente Médio, o que poderia elevar ainda mais os preços e a inflação global, as grandes petrolíferas mantêm cautela em investir em novas refinarias. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem pressionado as empresas a fortalecerem as cadeias domésticas de refino, chegando a reunir executivos na Casa Branca para debater a redução dos preços dos combustíveis.

Tags: Refinariascombustíveislucrosmercado de petróleopetrolíferas

Comentários

Comentários exclusivos para quem tem conta

Entre na sua conta e seja o primeiro a comentar esta matéria.

Veja também