Engenheira destaca desafios do Senna Tower em SC
Stéphane Domeneghini relata entraves técnicos e de mão de obra na obra do futuro prédio mais alto do mundo em Balneário Camboriú.
A construção do Senna Tower, edifício residencial que será o mais alto do mundo ao ser finalizado em Balneário Camboriú (SC), enfrenta dificuldades significativas em razão da escassez de mão de obra qualificada, ausência de maquinário adequado e desafios técnicos locais. A engenheira Stéphane Domeneghini, responsável pelo projeto e diretora executiva da consultoria Talls Solutions, que integra o Grupo FG, detalha os principais obstáculos enfrentados até aqui.
Segundo ela, a importação da tecnologia empregada em superprédios internacionais não é simples devido à falta de equipamentos apropriados para perfuração da rocha local, conhecida como gnaisse, de extrema dureza. Além disso, a necessidade de adequar técnicas ao contexto brasileiro provocou um redesenho inicial da obra, especialmente na fase da fundação, concluída recentemente após testes que duraram três anos.
Stéphane explica que a recuperação dos sistemas usados em outras partes do mundo é dificultada por questões como a disponibilidade limitada de brocas diamantadas específicas, que só são encontradas em equipamentos americanos e chineses caros, além da ausência de mão de obra treinada localmente. Isso levou a uma revisão do projeto original e a um aumento do número de estacas de fundação, de cem para 800, para garantir segurança.
A engenheira enfatiza a importância do investimento no treinamento contínuo dos trabalhadores, defendendo que os fornecedores se tornem uma extensão da equipe para que os processos sejam adaptados com eficiência.
Outro ponto destacado por ela é a restrição de horários e normas rígidas de segurança que impactam negativamente a velocidade da obra. Enquanto cidades como Dubai trabalham 24 horas por dia, a construção em Balneário Camboriú está limitada ao período das 7h às 18h, com regras mais severas em comparação a outros países.
Além dos desafios técnicos, Stéphane aponta que a indústria da construção no Brasil ainda apresenta baixa remuneração em relação às exigências de qualidade elevada. Ela ressalta que, embora o país tenha legislações modernas e uma transformação em andamento, o mercado contribui com poucos incentivos financeiros para essas obras de alta complexidade.
Sobre a participação das mulheres na engenharia, a profissional relata que a presença feminina ainda é limitada, principalmente em cargos de liderança, devido a pressões de um ambiente predominantemente masculino e as dificuldades para conciliar a carreira com questões pessoais como a maternidade.
Formada em engenharia civil pela Univali (Balneário Camboriú), Stéphane iniciou sua carreira na Embraed e migrou para a FG Empreendimentos, onde lidera a concepção técnica do Senna Tower. Em 2026, assumiu a presidência do capítulo Brasil do Conselho de Urbanismo Vertical (CVU), com o objetivo de ampliar a visibilidade internacional dos avanços brasileiros em construções altas.
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