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Nasdaq cai 2,9% após Meta anunciar planos de captação

Mercado reage com queda expressiva das ações de tecnologia, impulsionada pela previsão de grandes gastos da Meta em inteligência artificial.

O índice Nasdaq 100 registrou uma queda de 2,9% nesta quinta-feira (22) após a Meta, empresa de Mark Zuckerberg, anunciar a previsão de captar centenas de bilhões de dólares ao longo dos próximos anos para financiar investimentos em inteligência artificial (IA). Essa sinalização levou os investidores a recalcar suas posições e gerou uma desvalorização acentuada no setor de tecnologia norte-americano.

As ações da Meta caíram 7%, o que equivale a uma redução de cerca de US$ 124 bilhões no valor de mercado da companhia. A previsão para a captação de recursos terá início possivelmente neste outono no hemisfério Norte. A empresa admitiu que o ambiente de captação de recursos está se tornando mais desafiador, apesar de continuar apostando na expansão de sua infraestrutura para IA.

A queda nas ações da Meta repercutiu negativamente em outros segmentos da tecnologia. O índice S&P 500 recuou 1,2%, e o setor de semicondutores, crucial para o fornecimento de componentes tecnológicos, sofreu retração de quase 7% no índice de semicondutores da Filadélfia. Também destaque negativo foi a SpaceX, que viu suas ações recuarem 9,1%, e a Tesla, com uma queda de 3,1%, apesar dos resultados reportados pela SpaceX indicarem crescimento de receita.

Além das ações, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos tiveram forte valorização, com o rendimento dos papéis de dez anos caindo 0,16 ponto percentual para pouco menos de 5%, apontando para um movimento dos investidores rumo a ativos considerados mais seguros em um cenário de volatilidade e incertezas quanto à sustentabilidade do boom em IA financiado por dívidas.

O mercado financeiro também observou um aumento nas preocupações com o risco de crédito da Meta: o spread dos credit default swaps (CDS) da empresa subiu para 116 pontos-base, o maior desde o início das negociações desse instrumento no ano anterior.

De acordo com especialistas, como Jon Hill, chefe de estratégia de inflação do Barclays nos EUA, a alta dos títulos do Tesouro não está relacionada a dados econômicos fundamentais recentes, mas sim ao aumento da aversão ao risco decorrente das dúvidas sobre a capacidade das empresas de tecnologia em suportar os investimentos bilionários em IA.

Esses movimentos no mercado acompanham também tensões nos mercados da zona do euro, onde os rendimentos dos títulos governamentais franceses ultrapassaram 5%, ao mesmo tempo em que conflitos geopolíticos no Oriente Médio elevaram os preços do petróleo e reforçaram a busca por segurança entre os investidores.

Na quarta-feira (21), o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou em reunião privada que não identificava um problema sistêmico no atual avanço da inteligência artificial, apesar das preocupações manifestadas pelo mercado.

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