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Mercado financeiro analisa possíveis cenários após segundo turno das eleições de 2026

Gestores financeiros avaliam impactos distintos na Bolsa, câmbio e juros conforme o resultado do segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula.

 ·  Atualizado em 21/10/2026 às 05h28

Às vésperas do segundo turno presidencial marcado para 25 de outubro de 2026, gestores e economistas ouvidos pelo InfoMoney analisam as possíveis reações do mercado financeiro diante dos dois cenários políticos concorrentes: a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) ou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A expectativa é que o resultado traz diferentes níveis de impacto sobre a Bolsa de Valores, o câmbio e as taxas de juros no Brasil.

Perspectivas para o mercado com vitória de Flávio Bolsonaro

Segundo analistas, uma vitória do senador Flávio Bolsonaro tende a gerar mais volatilidade positiva, com uma potencial alta na Bolsa, valorização do real e queda das taxas de juros de longo prazo, ainda que com intensidade menor que a observada após o primeiro turno. A esperança está ancorada nas promessas de ajuste fiscal, especialmente um corte de aproximadamente R$ 200 bilhões em gastos públicos, o que poderia reforçar os sinais de controle das contas públicas.

O mercado já precificou a possibilidade de vitória do senador, com probabilidades estimadas entre 70% e 90%, apesar de ainda haver alguma cautela. Estudos indicam que o Ibovespa poderia alcançar uma faixa entre 220 mil e 250 mil pontos, com o dólar possivelmente variando entre R$ 4,00 e R$ 4,80, e juros longos recolocados abaixo de 12% ao ano.

Leia também: Mercado financeiro reage às eleições antecipadamente por expectativas futuras, apesar de economia ainda não apresentar mudanças

Porém, a sustentabilidade desse movimento dependerá de medidas concretas, como a nomeação de um ministro da Fazenda com credibilidade e autonomia para implementar as reformas necessárias. Caso a equipe econômica do novo governo demonstre falta de clareza ou autonomia, o mercado pode reagir negativamente, revertendo parte dos ganhos recentes.

Impactos esperados no cenário de reeleição de Lula

Na hipótese de reeleição do presidente Lula, a expectativa dos gestores é de reação bastante negativa do mercado, com possível queda intensa nos preços dos ativos financeiros, desvalorização do real e elevação das taxas de juros de longo prazo.

Estima-se que o dólar pode subir para valores entre R$ 5,30 e R$ 6,00, os juros longos podem avançar para patamares entre 14,5% e 15% ao ano, e o Ibovespa cair para cerca de 170 mil pontos. Tal cenário refletiria uma maior dificuldade para o governo recuperar a confiança do mercado, principalmente na ausência de um ajuste fiscal consistente e um Congresso mais resistente a reformas.

A avaliação é de que esse ambiente levaria a uma reversão completa dos ganhos observados após o primeiro turno, com aumento do risco e possível desinteresse de investidores, especialmente estrangeiros, em aplicar recursos no país.

Recomendações de gestores para o período pós-eleitoral

Diante da volatilidade esperada, especialistas recomendam cautela e adequações na composição de carteiras de investimentos, sem necessariamente realizar alterações drásticas antes da definição do resultado do segundo turno. A busca por proteção tem ganhado força, com maior procura por opções de venda de fundos que replicam ações brasileiras e redução das posições em fundos multimercados de risco mais elevado.

Entre os ativos considerados mais atrativos estão os títulos públicos atrelados à inflação (Tesouro IPCA+), que apresentam menor sensibilidade nas diferentes hipóteses eleitorais. Para os investidores que buscam exposição ao mercado acionário, há distinção: em um cenário com Flávio Bolsonaro, ações de empresas menores, mais ligadas ao mercado interno, seriam beneficiadas; enquanto a reaposta com Lula poderia favorecer empresas exportadoras e setores mais defensivos.

Em resumo, o mercado monitora atentamente os sinais de compromisso fiscal e a composição da equipe econômica após o segundo turno, já que esses fatores serão determinantes para a trajetória dos preços dos ativos e a percepção de risco dos investidores nos próximos meses.

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