Justiça aceita recuperação extrajudicial da Ri Happy em 90 dias
Tribunal garante proteção patrimonial da Ri Happy por 180 dias enquanto empresa busca acordo com credores.
A Justiça de São Paulo aceitou na sexta-feira (23) o pedido de recuperação extrajudicial da Ri Happy, maior rede de lojas de brinquedos do Brasil, dona também da marca PBKids. A decisão inclui a proteção do patrimônio da empresa contra cobranças dos credores pelo prazo de 180 dias, segundo determinação da juíza Taina Maria Leonardo De Oliveira.
Essa blindagem patrimonial tem o objetivo de impedir cobranças individuais que possam prejudicar a empresa ou inviabilizar o plano de recuperação apresentado.
Dívidas e estrutura do grupo
O grupo Ri Happy Brinquedos possui aproximadamente 300 lojas no país e soma dívidas de R$ 827,4 milhões. O pedido foi protocolado no dia 18 e, além da Ri Happy, envolve também as empresas relacionadas, como a New Toys e a PBKids, que atuam em segmentos distintos dentro do mercado de brinquedos.
Consolidação do processo e papel do administrador judicial
Embora a recuperação extrajudicial tenha sido deferida, a juíza rejeitou a consolidação substancial das sociedades em recuperação — procedimento que unificaria o tratamento patrimonial e de dívidas do conglomerado com a formação de uma lista única de credores. Essa decisão seguiu o posicionamento do Ministério Público, que indicou que as diferentes atividades das empresas e a falta de justificativa suficiente impedem tal unificação.
A consolidação processual foi autorizada, o que permite que as empresas peçam a recuperação de forma conjunta, mas permanecem independentes na apuração do quórum para aprovação do plano.
A Cabezón Administração Judicial foi nomeada para administrar o processo de recuperação, tarefa justificada pela complexidade do montante devido, pela dispersão geográfica das lojas e pela quantidade de empresas envolvidas.
Causas da crise e principais credores
No pedido à Justiça, o grupo Ri Happy assinalou que sofre com fatores como a conjuntura macroeconômica, os impactos da pandemia, a mudança nos hábitos de consumo, a alta carga tributária e a concorrência crescente do comércio eletrônico, principalmente plataformas como AliExpress e Shopee.
Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) referentes a 2025, cerca de 75,8% dos brinquedos vendidos no Brasil foram importados, majoritariamente da China.
Entre os maiores credores da Ri Happy estão o fundo Carlyle, com cerca de R$ 100 milhões em créditos, bancos - Banco do Brasil (R$ 94 milhões), Santander (R$ 58,5 milhões) — e fornecedores como Mattel (R$ 54 milhões), Hasbro (R$ 50 milhões) e Sunny Brinquedos (R$ 42 milhões).
Próximos passos
Segundo a decisão judicial, a Ri Happy tem o prazo de 90 dias para reunir a maioria dos credores e concretizar um acordo para a recuperação extrajudicial. Durante o período de proteção, a empresa poderá negociar a reestruturação de suas dívidas com o objetivo de se manter operacional e competitiva no mercado.

Comentários
Entre na sua conta e seja o primeiro a comentar esta matéria.