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Justiça aceita recuperação extrajudicial da Ri Happy em 90 dias

Tribunal garante proteção patrimonial da Ri Happy por 180 dias enquanto empresa busca acordo com credores.

Fachada de loja da Ri Happy em shopping
Loja da Ri Happy — Foto: Wikipedia/ Izabella Galhardo

A Justiça de São Paulo aceitou na sexta-feira (23) o pedido de recuperação extrajudicial da Ri Happy, maior rede de lojas de brinquedos do Brasil, dona também da marca PBKids. A decisão inclui a proteção do patrimônio da empresa contra cobranças dos credores pelo prazo de 180 dias, segundo determinação da juíza Taina Maria Leonardo De Oliveira.

Essa blindagem patrimonial tem o objetivo de impedir cobranças individuais que possam prejudicar a empresa ou inviabilizar o plano de recuperação apresentado.

Dívidas e estrutura do grupo

O grupo Ri Happy Brinquedos possui aproximadamente 300 lojas no país e soma dívidas de R$ 827,4 milhões. O pedido foi protocolado no dia 18 e, além da Ri Happy, envolve também as empresas relacionadas, como a New Toys e a PBKids, que atuam em segmentos distintos dentro do mercado de brinquedos.

Consolidação do processo e papel do administrador judicial

Embora a recuperação extrajudicial tenha sido deferida, a juíza rejeitou a consolidação substancial das sociedades em recuperação — procedimento que unificaria o tratamento patrimonial e de dívidas do conglomerado com a formação de uma lista única de credores. Essa decisão seguiu o posicionamento do Ministério Público, que indicou que as diferentes atividades das empresas e a falta de justificativa suficiente impedem tal unificação.

A consolidação processual foi autorizada, o que permite que as empresas peçam a recuperação de forma conjunta, mas permanecem independentes na apuração do quórum para aprovação do plano.

A Cabezón Administração Judicial foi nomeada para administrar o processo de recuperação, tarefa justificada pela complexidade do montante devido, pela dispersão geográfica das lojas e pela quantidade de empresas envolvidas.

Causas da crise e principais credores

No pedido à Justiça, o grupo Ri Happy assinalou que sofre com fatores como a conjuntura macroeconômica, os impactos da pandemia, a mudança nos hábitos de consumo, a alta carga tributária e a concorrência crescente do comércio eletrônico, principalmente plataformas como AliExpress e Shopee.

Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) referentes a 2025, cerca de 75,8% dos brinquedos vendidos no Brasil foram importados, majoritariamente da China.

Entre os maiores credores da Ri Happy estão o fundo Carlyle, com cerca de R$ 100 milhões em créditos, bancos - Banco do Brasil (R$ 94 milhões), Santander (R$ 58,5 milhões) — e fornecedores como Mattel (R$ 54 milhões), Hasbro (R$ 50 milhões) e Sunny Brinquedos (R$ 42 milhões).

Próximos passos

Segundo a decisão judicial, a Ri Happy tem o prazo de 90 dias para reunir a maioria dos credores e concretizar um acordo para a recuperação extrajudicial. Durante o período de proteção, a empresa poderá negociar a reestruturação de suas dívidas com o objetivo de se manter operacional e competitiva no mercado.

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