Netflix registra queda no uso do app e amplia investimentos
Usuários da Netflix assistem menos e abrem o app com menor frequência, aponta Bloomberg.
A Netflix Inc., a maior empresa de streaming do mundo em valor de mercado, enfrenta uma redução na frequência e no tempo que seus usuários dedicam ao serviço, segundo apuração da Bloomberg junto a fontes próximas ao assunto.
As pessoas com acesso ao aplicativo da Netflix têm aberto o serviço em menos dias do mês comparado a anos anteriores. Esse indicador é chamado pela empresa de QPD (dias de reprodução qualificados). Além disso, o tempo médio de exibição por usuário também diminuiu, mesmo com crescimento no número total de clientes no primeiro semestre do ano.
A diminuição na atividade dos usuários preocupa a direção da empresa, especialmente após a repressão ao compartilhamento de senhas iniciada em 2022, que inicialmente foi vista como uma mudança temporária. A persistência da tendência indica que consumidores podem estar encontrando menos valor no serviço, optando por concorrentes ou diminuindo seu consumo em geral.
Estratégias para retenção e expansão
Para tentar conter a queda, a Netflix ampliou seu orçamento para conteúdos e está expandindo sua oferta para novas áreas, como podcasts e transmissões esportivas ao vivo, visando atrair e manter assinantes.
Apesar da redução no engajamento, a taxa de cancelamento da Netflix nos Estados Unidos permanece estável em 2%, a menor do setor conforme pesquisa da Antenna. A companhia também informou que os recentes aumentos nos preços não geraram aumento incomum de desistências.
Desempenho e ajustamentos internos
Os co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters indicaram em teleconferência que o crescimento da audiência, principalmente nos EUA, não está ocorrendo na velocidade desejada, embora a performance internacional seja satisfatória. A empresa também enfrenta dificuldades em lançar novos programas de sucesso e em manter o interesse em temporadas posteriores de suas séries.
Em resposta aos desafios, houve mudanças na liderança, com a demissão de Bela Bajaria, diretora de conteúdo, e Dan Lin, chefe da divisão de filmes, além de cortes de 6% no quadro de funcionários. Peter Rice, veterano da Disney, assumirá comando da estratégia de conteúdo.
Dados da Apptopia, que monitora o uso de aplicativos móveis, reforçam o cenário: a parcela de assinantes nos EUA que não abriram o aplicativo cresceu 16,6% no terceiro trimestre em relação ao ano anterior.
Apesar das dificuldades, a Netflix mantém resultados financeiros positivos, mas alertou que a receita com publicidade pode ficar US$ 300 milhões abaixo do previsto para o ano, devido à implantação mais lenta de novos produtos.
Os executivos da Netflix reconhecem que, embora o negócio continue saudável e em crescimento, esforços adicionais são necessários para impulsionar uma maior expansão da base de usuários e aumentar o uso do serviço.
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