Oxford Street fecha para carros e atrai grandes varejistas
Londres transforma trecho da Oxford Street em calçadão para recuperar prestígio e atrair grandes marcas.
A partir de 26 de outubro, um trecho de cerca de 800 metros da Oxford Street, principal via comercial de Londres, terá o tráfego de veículos proibido. A medida, anunciada pelo prefeito Sadiq Khan, faz parte de um projeto de revitalização da rua, que busca recuperar seu prestígio e competir com principais regiões comerciais do mundo, como a Quinta Avenida, em Nova York.
O plano envolve um investimento de 150 milhões de libras esterlinas (equivalente a aproximadamente R$ 1 bilhão) para transformar a área em um calçadão, criando espaços públicos que possam abrigar eventos e experiências para visitantes. O fechamento será entre as lojas Selfridges e Ikea, uma área estratégica para o comércio local.
Essa iniciativa é uma resposta à década recente, marcada pela saída de grandes lojas de departamento tradicionais, como Debenhams e House of Fraser, agravada pela pandemia de coronavírus. Em 2022, a taxa de imóveis vagos na região chegou a 13,7%, segundo a consultoria imobiliária Savills, e os aluguéis sofreram queda significativa, de 1.100 libras para 600 libras por pé quadrado entre 2016 e 2021.
Para tentar reanimar a oferta comercial, proprietários têm concedido descontos e isenção de aluguel temporária, o que atraiu temporariamente lojas menores e estabelecimentos turísticos, deteriorando a percepção sobre a área. Adicionalmente, o fim dos benefícios fiscais para turistas prejudicou o fluxo de consumidores.
Nos últimos anos, contudo, houve sinais de recuperação. Prédios das antigas lojas de departamento foram reformados para incluir escritórios, e uma corporação local de desenvolvimento urbano foi criada para agilizar decisões de planejamento. A taxa de imóveis vagos caiu para menos de 1% no último ano, acompanhada por 39 contratos firmados para novas lojas.
Marcas globais têm investido em lojas-conceito na Oxford Street. Entre elas, destacam-se Zara, Nike, John Lewis, Mango, Puma, além de empresas asiáticas emergentes como Miniso e Pop Mart. A Warner Bros planeja abrir sua principal loja do Reino Unido na rua no próximo mês.
Apesar de o fechamento ser polêmico entre moradores e usuários de transporte, a maioria dos varejistas apoia a medida, que é vista como essencial para criar um ambiente competitivo e atraente para consumidores e visitantes internacionais. A inauguração da Elizabeth Line, que facilita o acesso à região a partir dos subúrbios, também contribui para atrair investimentos.
Dee Corsi, diretora-executiva da New West End Company, destacou a importância da Oxford Street como motor econômico para Londres e o Reino Unido, reforçando que o projeto tem potencial para revitalizar uma das ruas comerciais mais famosas do mundo.
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