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João Araújo transforma dívida de R$ 350 milhões em um negócio

João Araújo assumiu riscos em empresa endividada, comprou participação mesmo sem capital disponível e multiplicou faturamento da Buritirama quase dez vezes.

João José Oliveira Araújo, engenheiro formado pela FAAP e economista pela FGV, adotou uma estratégia pouco convencional ao ingressar em um negócio financeiro negativo. Em 2015, Araújo adquiriu 10% da mineradora Buritirama, que enfrentava uma dívida de aproximadamente R$ 350 milhões e um mercado de commodities em crise. Na época, ele assumiu pessoalmente uma responsabilidade financeira estimada em cerca de R$ 35 milhões, apostando no futuro da empresa mesmo diante de grandes adversidades.

Em poucos anos, essa decisão traçou um caminho de crescimento significativo para Buritirama. O faturamento da mineradora saltou de R$ 80 milhões, em 2015, para R$ 750 milhões em 2018. Com esse cenário de melhora, surgiu a oportunidade de comprar a participação majoritária restante da empresa.

No final de 2018, o pai de João, Sílvio Tini de Araújo, acionista majoritário com 90% das ações, quis vender sua participação, estipulando o valor da empresa em R$ 500 milhões. João Araújo propôs adquirir toda a participação, mesmo sem possuir os recursos necessários. Ele conseguiu organizar e convencer instituições financeiras, como o Itaú, a financiar a operação, mesmo com um imprevisto envolvendo execução de dívidas pelo Bradesco durante o processo.

Após a aquisição, Araújo expandiu o Grupo Buritipar, consolidando negócios em manganês, cobre, potássio e logística. Entre suas iniciativas, destaca-se a compra de 38,5% da Paranapanema, empresa do setor de cobre, e a assinatura de contrato de fornecimento com a Minmetals, estatal chinesa, que garantiu US$ 400 milhões em pré-pagamentos para minério de manganês, reduzindo riscos comerciais do grupo.

Além das conquistas empresariais, o empresário tem enfrentado disputas judiciais relacionadas a questões familiares e comerciais, inclusive uma briga com o pai que evoluiu para processos legais. Paralelamente, manteve seu foco em inovação e expansão, participando em 2025 do conselho consultivo da healthtech britânica Salus Optima, que alia inteligência artificial e desempenho humano.

Essa trajetória ilustra a filosofia de João Araújo: identificar problemas que outros evitam e construir soluções onde há resistência, demonstrando que a gestão de ativos problemáticos pode gerar valor significativo quando combinada com visão estratégica e persistência.

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