Indecisos dobram e aumentam incertezas para Flávio Bolsonaro na reta final, avalia cientista político
Crescimento de eleitores indecisos na pesquisa Quaest gera alerta para Flávio Bolsonaro a poucos dias da eleição.
Na reta final para o segundo turno da eleição presidencial de 2026, o crescimento no número de eleitores indecisos vem sendo apontado como um desafio significativo para o senador Flávio Bolsonaro (PL). Este é o entendimento do cientista político Murilo Medeiros, professor da Universidade de Brasília (UnB), que analisou os dados da pesquisa Quaest divulgada em 21 de outubro.
A pesquisa mostrou que a proporção de eleitores que não declaram espontaneamente um candidato dobrou, passando de 7% para 14%, a poucos dias do pleito. Enquanto isso, cerca de 90% dos entrevistados afirmam não ter intenção de mudar seu voto, indicando alta fidelidade das bases eleitorais, mas também revelando uma movimentação dos eleitores menos alinhados politicamente.
Estratégia e impacto na indecisão
De acordo com o professor Medeiros, essa mudança no comportamento do eleitor pode estar relacionada à estratégia adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A campanha petista tem reforçado críticas às propostas de Flávio Bolsonaro, associando-as a riscos para programas sociais, o que pode ter provocado insegurança em parte do eleitorado que vê a possibilidade de mudança com cautela.
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“Esse eleitor que estava mais propenso a votar numa alternativa eleitoral de mudança passa a enxergar agora o futuro com certa desconfiança, com medo de dar um passo além da alternância de poder”, afirmou Medeiros, em entrevista ao programa Mapa de Risco, do InfoMoney.
Fidelidade versus dúvida
Apesar do aumento dos indecisos, a disputa continua marcada por bases eleitorais firmes para ambos os candidatos. A pesquisa também indicou queda na rejeição de ambos: a de Lula caiu de 53% para 47%, enquanto a de Flávio reduziu de 54% para 52%. Essa diferença sugere, segundo Medeiros, que o senador precisa trabalhar para diminuir as resistências entre eleitores que ainda não se identificam com nenhum dos dois candidatos.
Grupos decisivos e perspectiva para a eleição
Medeiros cita que jovens, mulheres de baixa renda e moradores do Sudeste, incluindo estados como São Paulo e Minas Gerais, representam segmentos importantes do eleitorado independente que podem influenciar o resultado. Enquanto Flávio despontou à frente de Lula nesses locais no primeiro turno, o presidente tenta recuperar terreno agora.
O cientista político alerta que o crescimento dos indecisos não garante uma vantagem automática para Lula, já que esses eleitores ainda não migraram para o petista. Alguns podem optar por voto em branco, nulo ou até não comparecer às urnas, o que pode impactar o resultado final.
Segundo a pesquisa Quaest, Flávio Bolsonaro aparece com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula, diferença dentro da margem de erro, indicando empate técnico. Para Medeiros, a disputa permanece aberta e o comportamento do eleitor independente será fundamental nos próximos dias.
“O desafio do candidato Lula é transformar a desconfiança em apoio efetivo. Já para Flávio, o desafio é impedir que essa dúvida afaste eleitores que estavam inclinados a votar pela mudança de governo. Esse comportamento pendular desse eleitor independente vai ser muito decisivo nessa reta final”, concluiu o professor.
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