iFood Benefícios compra rival Caju e amplia mercado
Compra da Caju pelo iFood Benefícios aguarda aprovação do Banco Central e Cade, projetando crescimento no setor de benefícios no Brasil.
O iFood Benefícios anunciou oficialmente, na terça-feira (20), a aquisição da concorrente Caju. A operação, que aguarda análise e aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), representa uma ampliação significativa no mercado de benefícios nacionais.
O mercado em questão movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano e abrange mais de 22 milhões de trabalhadores em aproximadamente 470 mil empresas cadastradas no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Embora os valores exatos da transação não tenham sido divulgados pelas companhias, fontes do setor informaram à Folha que a avaliação da Caju gira em torno de R$ 1 bilhão.
Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios, destacou que a união das operações tem o potencial de "dobrar o tamanho da operação", permitindo um produto mais competitivo e maior capacidade de investimento. A empresa não só amplia a sua escala, como também a possibilidade de oferecer melhores produtos, serviços e atendimento.
Desde 2023, o iFood Benefícios vem crescendo sua receita a uma taxa anual de 80%. A plataforma conta atualmente com cerca de 1,7 milhão de usuários cadastrados e atende 65 mil empresas clientes, transacionando em torno de R$ 1,3 bilhão por mês. Já a Caju possui 1,3 milhão de usuários e atende cerca de 70 mil empresas.
Com a conclusão da aquisição, a carteira combinada das empresas incluirá aproximadamente 3 milhões de usuários e mais de 130 mil empresas. Esses números aproximam o grupo da empresa VR Benefícios, que possui cerca de 4 milhões de usuários, mas ainda permanecem abaixo das líderes de mercado Alelo, Edenred e Pluxee, que contam com mais de 10 milhões de trabalhadores cadastrados cada uma.
O cenário de fusão ocorre em meio a uma transformação regulatória: em novembro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto limitando a cobrança das operadoras de benefícios em 3,6% às empresas do setor como restaurantes e supermercados. Essa medida trouxe uma maior abertura para o uso dos vouchers, que passaram a ser aceitos em diversos estabelecimentos cadastrados como padarias, restaurantes e supermercados, rompendo antigos modelos fechados e de taxas elevadas.
Eduardo Del Giglio, CEO da Caju, ressaltou que, apesar dessa mudança regulatória ser um pano de fundo importante para a transação, a motivação principal é maximizar o valor para empresas e colaboradores. Ele também destacou sinergias entre os produtos das empresas, mencionando, por exemplo, iniciativas ligadas a despesas corporativas e parcerias como o Despegar, desenvolvido em conjunto com a Decolar.
A aquisição da Caju é a mais significativa já realizada pelo iFood Benefícios, negócio fundado em 2020 que integra a estratégia do iFood de investir R$ 24 bilhões no país. O grupo controlador é a holding de tecnologia Prosus.
Antes de firmar a compra da Caju, o iFood sondou outras companhias do setor, indicando a busca por ampliação e consolidação no mercado. Ainda não há confirmação se a marca Caju será mantida após a finalização do negócio. Atualmente, a Caju possui cerca de 700 funcionários.
Segundo Del Giglio, o mercado de benefícios mudou significativamente desde a fundação da Caju e essa junção dos ecossistemas visa tornar a estratégia mais focada nos clientes, o que é visto como caminho promissor para o sucesso futuro.
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