Pular para o conteúdo

Heineken orienta bares a oferecerem menos cerveja e opções com

Cervejaria alerta que o uso de remédios como Ozempic tem reduzido o consumo de bebidas alcoólicas, recomendando adoção de meias canecas e alternativas ao álcool tradicional.

A cervejaria Heineken recomendou a bares e pubs do Reino Unido que ajustem a quantidade de cerveja servida e ampliem a oferta de bebidas com baixo ou nenhum teor alcoólico, como resposta à crescente influência dos medicamentos para perda de peso da classe GLP-1, incluindo nomes como Ozempic e Wegovy. Essa orientação foi divulgada numa apresentação da empresa à qual a Reuters teve acesso, constituindo um reconhecimento raro de que esses remédios estão afetando as vendas tradicionais de cerveja.

Dados apontam que cerca de 10 milhões de pessoas nos Estados Unidos utilizaram medicamentos desse tipo no último ano, e isso tem provocado mudanças nos hábitos de consumo, reduzindo o apetite por doces e salgadinhos, e impactando também o consumo de bebidas alcoólicas. A Heineken observou que pacientes que fazem uso de GLP-1 tendem a consumir porções menores, preferir bebidas com menor teor alcoólico e optar por combinações que incluam pequenos pratos junto às bebidas.

Na comunicação enviada ao setor de hospitalidade, a cervejaria alertou que os consumidores sob efeito desses medicamentos apresentam maior sensação de saciedade, o que contribui para a diminuição da vontade de beber, e consequente redução no número e volume de doses servidas. Tradicionalmente, eventos que envolvem o consumo de múltiplas canecas de cerveja podem se tornar menos frequentes conforme essa tendência se consolida.

A empresa destacou que a adaptação do mercado é necessária para evitar queda na frequência e no gasto dos clientes nos estabelecimentos. Para isso, recomenda a promoção de meias canecas e a diversificação para oferecer bebidas com até 0% de álcool, acompanhadas de petiscos, práticas já alinhadas a outras tendências recentes.

O setor de bebidas alcoólicas enfrenta queda nas vendas em mercados onde saúde e economia influenciam o consumo. A Heineken acompanha as transformações e avalia que seu portfólio está apto a responder às mudanças. Outras grandes fabricantes, como Diageo e Carlsberg, observam os impactos de forma cautelosa, enquanto a AB InBev não comentou o tema.

Pesquisas europeias indicam redução no consumo de álcool entre usuários de GLP-1. Famílias que incluem pessoas em tratamento com esses medicamentos apresentam queda média de 7% nos gastos mensais com bebidas alcoólicas, chegando a 13,5% a menos nos gastos com cerveja, quando comparadas a famílias similares sem uso dos medicamentos.

Especialistas ressaltam que esses remédios podem afetar o desejo e a motivação para consumo de álcool, evidenciando um novo panorama para a indústria e para o comportamento dos consumidores, abrindo precedentes para adaptações comerciais e estratégicas na oferta de bebidas.

📰 Veja também