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Grupo Euro17 entra com pedido de recuperação judicial devido a

Grupo Euro17, com mais de 5.000 credores, busca recuperação judicial para reorganizar dívidas e operações financeiras.

O Grupo Euro17 protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo em 16 de outubro de 2026. A ação envolve oito empresas do grupo, controlado por Ik Cavalcanti Albuquerque, e totaliza dívidas que somam R$ 1,7 bilhão com mais de 5.000 credores.

Atuando principalmente na concessão de crédito pessoal e na venda de debêntures, o grupo tem como principais credores cerca de 4.000 investidores pessoas físicas que aplicaram R$ 1,28 bilhão nesses títulos, distribuídos em 9.393 contratos. Os papéis tinham remuneração média mensal entre 1,62% e 1,66%, o que corresponde aproximadamente a 21% ao ano.

Na petição judicial, o grupo Euro17 atribui a crise financeira a um descompasso entre os prazos dos empréstimos concedidos aos clientes, que tinham vencimentos entre 12 a 18 meses, e a possibilidade de resgate imediato dos títulos pelos investidores, que concentra grande parte dos recursos em debêntures emitidas pelas securitizadoras do grupo, Euro Securitizadora e Prime Euro Securitizadora.

Além disso, o grupo relaciona o aumento da inadimplência na carteira de crédito pessoal e a crise ocorrida no Banco Master como fatores que agravaram o cenário financeiro. Em especial, destaca-se que a liquidação do Banco Master afetou a confiança do investidor de varejo em produtos de renda fixa privada, elevando o índice de resgates antecipados de 30-35% para mais de 65%.

O volume de captação mensal de recursos também sofreu queda significativa, passando de uma média mensal de R$ 41,7 milhões em 2025 para R$ 25,3 milhões no primeiro semestre de 2026, atingindo o ápice negativo de R$ 15,3 milhões em junho de 2026.

A recuperação judicial proposta prevê a consolidação das oito empresas do grupo como um único devedor e a criação de uma lista única de credores, além da apresentação de um plano de pagamento. O pedido inclui ainda a suspensão de execuções, bloqueios e penhoras por um período de 180 dias, a proibição de retenção de recebíveis pelos bancos e a garantia da continuidade dos serviços essenciais.

No andamento processual, um grupo de debenturistas buscou acesso aos autos para acompanhar a recuperação judicial, relatando dificuldades no acesso mesmo após a juíza responsável negar o segredo de Justiça, destacando a importância da publicidade em processos que envolvem milhares de credores.

Em nota, o Grupo Euro17 afirmou que aguardará o deferimento do pedido para se manifestar oficialmente. A empresa também informou que iniciou uma nova etapa de reestruturação desde o início de outubro, com contato individualizado com os investidores para avaliar possibilidades de composição e encontrar soluções compatíveis com a situação econômico-financeira atual.

O grupo mantém mais de 1,5 milhão de clientes desde sua fundação em 2017 e está registrado no Banco Central como uma sociedade de crédito não bancária de pequeno porte.

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