Fundo americano consegue suspender ordem de OPA da
Decisão judicial suspende obrigação imposta pela CVM para que fundo Centaurus realize oferta pública de aquisição de ações da Oncoclínicas.
A Justiça de São Paulo suspendeu na sexta-feira (23) os efeitos de uma decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que obrigava o fundo de investimentos Josephina 3, controlado pela gestora americana Centaurus, a realizar uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) da rede de saúde Oncoclínicas até o sábado (24).
A CVM havia imposto a realização da OPA no prazo de 60 dias ao entender que a empresa estrangeira infringiu uma cláusula estatutária denominada "poison pill", que exige que investidores que ultrapassem 15% do capital da empresa após o IPO realizem uma oferta pelos papéis restantes. A Oncoclínicas abriu seu capital em 2021.
O fundo Josephina 3 contestou na Justiça a determinação alegando que a autarquia não tem competência para obrigar o cumprimento de obrigações previstas no estatuto social da Oncoclínicas. A decisão judicial suspendeu também a aplicação de multa prevista pela CVM caso a OPA não fosse realizada.
A disputa envolve a Centaurus e a brasileira Latache, esta última maior acionista individual da Oncoclínicas, com participação de 14,59%. A Latache afirma que a Centaurus teria adquirido mais de 15% das ações após o IPO, fato que justificaria a oferta conforme a "poison pill". Já a Centaurus afirma que sua participação superior a 15% data de 2018, antes da abertura de capital, possuindo cerca de 42% atualmente.
O Josephina 3 foi criado em novembro de 2024 para concentrar a participação da Centaurus, com o Goldman Sachs, que até então detinha parte da participação, reduzindo seu capital para menos de 1%. A questão também tramita numa câmara de arbitragem da B3, solicitada pela Centaurus.
Atualmente, a Oncoclínicas está em processo de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas. No segundo trimestre, a empresa reportou prejuízo líquido de R$ 475,7 milhões, contra R$ 142,3 milhões no mesmo período do ano anterior, com receita líquida em queda de 28,5%, para aproximadamente R$ 1,1 bilhão.
Perfil da Oncoclínicas
A Oncoclínicas foi fundada em 2010 e atua como uma rede privada especializada no tratamento de câncer, incluindo oncologia, hematologia, radioterapia e serviços hospitalares. Em 2025, registrou receita bruta de R$ 6,3 bilhões e prejuízo de R$ 3,6 bilhões, operando com 142 unidades em 49 cidades brasileiras.
📰 Veja também
Ex-banqueiro usou financeira nas Bahamas para esquema
Ex-banqueiro Daniel Vorcaro utilizava a Mosaic nas Bahamas como hub para distribuir dinheiro internacionalmente, segundo investigadores.
Plano de Trump para importar carne tem baixo impacto
Iniciativa para importar mais carne bovina magra enfrenta baixa adesão e não reduz preços significativamente nos Estados Unidos.
Estaleiro Rio Grande inicia navio do programa naval de Lula
Obras começaram com atraso no estaleiro do Rio Grande do Sul para navio contratado pela Petrobras, parte da iniciativa de reativar a indústria naval.
Volkswagen planeja congelar salários globais até 2030
Conselho de trabalhadores da Volkswagen revelou planos para congelar salários até 2030, medida que enfrenta resistência dos sindicatos.
Ri Happy pede recuperação para renegociar R$ 827 mi
Grupo varejista de brinquedos Ri Happy entra com pedido para reestruturar dívidas bilionárias diante de cenário econômico desafiador.