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Flávio Bolsonaro conversa com presidente do Flamengo sobre

Senador e presidente do Flamengo discutem possíveis soluções para clubes e casas de apostas após medida provisória que proibiu as bets no país.

Um dia depois do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicar uma medida provisória proibindo as apostas esportivas (bets) no Brasil, o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) conversou por telefone com Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, conhecido como Bap, para tratar do tema.

Segundo relatos de três pessoas ligadas ao futebol e à campanha de Flávio Bolsonaro ouvidas sob anonimato, o senador transmitiu tranquilidade ao dirigente rubro-negro, afirmando que, caso seja eleito, buscará uma solução para os clubes de futebol e as casas de apostas. Contudo, ele não se comprometeu a restaurar a autorização para operação das empresas de apostas.

A proibição das apostas ocorreu antes do primeiro turno das eleições de 2026, período em que Flávio Bolsonaro apresentava crescimento nas pesquisas de intenção de voto frente a Lula. A campanha petista esperava que a medida elevasse sua vantagem, considerando que pesquisa Datafolha de 1º de outubro indicou que 78% da população apoiava o fim das apostas, associadas a problemas como endividamento e vício em jogos.

Apesar dos posicionamentos contra a regulamentação em sua trajetória, Flávio Bolsonaro defende uma distinção entre cassinos virtuais e apostas esportivas, criticando a proibição como uma ação que prejudicou a segurança jurídica e afetou diversos setores, incluindo clubes e empresas relacionadas.

A liberação das apostas online remonta ao governo Michel Temer (2016-2018) e sua operação irregular ocorreu no governo Jair Bolsonaro (2019-2022). Em 2023, o governo Lula propôs e conseguiu aprovar no Congresso uma regulamentação com regras e tributações para o setor.

Flávio Bolsonaro tem feito gestos favoráveis às bets, destacando sua relevância financeira para clubes e mídia. Dias após o veto às apostas, ele publicou uma enquete não oficial no X sugerindo maior apoio de flamenguistas a ele do que ao presidente Lula, no mesmo dia da ligação com Bap. Também encorajou o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, a votar nele.

Paralelamente, a Polícia Federal investiga possível associação indireta de Flávio Bolsonaro com uma casa de apostas chamada Best Bet, em parceria com o advogado Willer Tomaz, que foi o maior apostador individual no país em 2025, movimentando R$ 5 bilhões.

Novos contatos entre a campanha bolsonarista e o Flamengo foram realizados após o primeiro turno, no qual Flávio obteve 47,03% dos votos contra 45,16% de Lula.

A Folha buscou posicionamento junto à campanha de Flávio e ao Flamengo, mas não obteve respostas. A assessoria do clube, no entanto, informou que o Flamengo não declara apoio a nenhum candidato nas eleições.

A proibição provocou reação negativa nos clubes, que chegaram a boicotar uma reunião com o governo federal sobre o assunto.

Em geral, dirigentes de futebol manifestam simpatia política a Flávio Bolsonaro, alimentando expectativa de que ele adote medidas favoráveis aos times se eleito. O presidente do Flamengo tem sido o mais atuante na defesa das apostas, sendo parte em ação no Supremo Tribunal Federal que questiona a medida provisória, além de promover campanha contra a proibição na camisa oficial do time.

Por sua vez, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ainda não se posicionou publicamente, mas seu presidente, Samir Xaud, teria orientado presidentes de clubes a evitarem participação em reunião com o governo.

A medida provisória segue em tramitação no Congresso, com parlamentares do centrão avaliando a possibilidade de liberação das apostas após as eleições.

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