Família Batista manteve bilhões em fundos da Reag até sua liquidação pelo Banco Central
Família Batista utilizou por quase uma década fundos da Reag para gerir parte de seu patrimônio, que somava R$ 25,7 bilhões até o primeiro trimestre deste ano.
A família Batista, que controla empresas de grande porte como a JBS e a Eldorado, manteve por quase dez anos bilhões de reais aplicados em fundos administrados pela Reag, instituição que foi liquidada pelo Banco Central neste ano.
Até o primeiro trimestre de 2026, onze fundos vinculados à família Batista somavam R$ 25,7 bilhões em ativos sob administração da Reag. Esses fundos detinham ações da holding familiar J&F, do grupo em Luxemburgo, além de direitos creditórios e bens ligados aos irmãos Wesley e Joesley Batista, principais controladores da J&F.
A Reag, fundada por João Carlos Mansur — que firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República em 2026 — iniciou a administração de fundos ligados aos Batistas quando ainda possuía um porte relativamente pequeno no mercado. Em 2018, a Reag ocupava o 42º lugar no ranking de gestores da Anbima, com R$ 12,2 bilhões em ativos, dos quais mais da metade estavam em fundos da família Batista.
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De 2018 até agosto de 2025, a Reag cresceu significativamente, passando a figurar entre as dez maiores gestoras do país, com R$ 369,7 bilhões em ativos administrados, incluindo R$ 19,9 bilhões dos fundos da família Batista.
Além dos Batistas, a Reag também prestava serviços ao Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em 2025, gerando uma perda estimada em R$ 40,6 bilhões para o Fundo Garantidor de Créditos. Ligado a este caso, o BC também considerou instituições associadas como Will Bank e Banco Pleno, atingindo R$ 51,8 bilhões em perdas.
A escolha da Reag pelos Batistas para administrar seus fundos ocorreu em 2017, em um contexto em que os irmãos Wesley e Joesley Batista enfrentavam investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato. Com dificuldades em manter relações bancárias, eles optaram pela Reag para gerir parte do patrimônio familiar.
Em 2025, a Reag foi alvo de duas grandes operações policiais: Carbono Oculto, que investiga fraudes fiscais e lavagem de dinheiro ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), e Compliance Zero, ligada a fraudes no Banco Master. Fundos administrados pela Reag aparecem entre as estruturas sob investigação, embora os fundos diretamente ligados à família Batista não estejam envolvidos nesses casos.
Ao tomar conhecimento das suspeitas sobre a Reag, a família Batista transferiu entre fevereiro e março de 2026 os fundos para outras instituições, como a Planner, que atualmente administra os ativos, e a Veritas Capital Management, que realiza sua gestão, encerrando a relação com a Reag.
Entre os fundos da família, destaca-se o FIP Pinheiros, com R$ 11,4 bilhões em ativos, que inclui investimentos na holding J&F. Os cotistas desse fundo são empresas controladas pelos irmãos Batista, sediadas inclusive em Delaware, nos Estados Unidos, conhecido por legislação societária facilitada.
Outros fundos possuem ativos como precatórios, ações da fabricante Flora e créditos entre membros da família. A J&F afirmou que esses fundos foram criados para atender necessidades comerciais distintas, são registrados e fiscalizados pelos órgãos competentes, e possuem transparência nas informações prestadas aos investidores.
A Reag teve sua liquidação oficializada em janeiro de 2026, pouco após a divulgação de relatório do Banco Central que identificou fundos suspeitos em esquemas de fraude coordenados por Daniel Vorcaro, envolvendo também a estrutura da Reag. A delação premiada firmada por seu fundador, João Carlos Mansur, permanece sujeita à homologação pelo Supremo Tribunal Federal.
A J&F declarou que a transferência dos fundos foi feita assim que as suspeitas sobre a Reag se tornaram públicas, e que até então a Reag mantinha reputação que não desabonava sua atuação. A holding reforçou que seus fundos cumprem rigorosamente as regras do mercado financeiro, sendo transparentes e auditados por órgãos competentes, aspectos que sustentam a confiança de investidores internacionais.
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